Rangel teve arruada frouxa em Viseu, distrito que já foi o “cavaquistão”

Em Sernancelhe, o candidato às europeias voltou ao tema dos cortes nos fundos de coesão no valor de 3,3 mil milhões de euros e garantiu que, se o PSD for Governo, não haverá cortes para Portugal.

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LUSA/TIAGO PETINGA

O dia começou com três brindes feitos pelo cabeça de lista do PSD às europeias em Moimenta da Beira, como que a anunciar um promissor dia de campanha eleitoral para Paulo Rangel. O dia desta quinta-feira foi passado no distrito de Viseu e, politicamente, o candidato social-democrata estava em casa. Mas Viseu já não é o “cavaquistão” de outrora e isso ficou claro na arruada que Rangel fez ao fim da tarde no centro da capital de distrito, na companhia de Almeida Henriques, presidente da câmara.

O candidato social-democrata, que teve uma boa recepção em Sernancelhe, à hora do almoço, reconheceu que em Viseu a arruada soube “um bocadinho a pouco”. Depois de uma jornada como a que tivemos em Sernancelhe, com mais de 600 pessoas, naturalmente que esta arruada sabe um bocadinho a pouco”, reconheceu Paulo Rangel, admitindo que a fraca receptividade das pessoas se tenha ficado a dever ao frio que se fazia sentir na altura.

“Estavam algumas pessoas e os comerciantes locais, mas em todo o caso a nossa presença foi muito notada, porque a comitiva estava muito entusiasmada e muito dinâmica. Portanto, acabou por ter presença bem marcada em Viseu”, disse o candidato em declarações aos jornalistas, reiterando que “ao fim da tarde podia estar mais gente”.

A JSD tentou dar animação à acção de campanha, cantando pelas ruas, mas a verdade é que, quando terminou a arruada, Paulo Rangel tinha ainda muitas canetas e folhetos para distribuir. Fonte social-democrata disse ao PÚBLICO que o que aconteceu “é a antítese de uma campanha do PSD em Viseu”.

A primeira acção de campanha da caravana social-democrata decorreu na Cooperativa Agrícola de Távora, em Moimenta da Beira, e foi aí que Paulo Rangel decidiu fazer três brindes: um que classificou como altruísta (em nome dos funcionários e da cooperativa que visitou); o segundo foi um brinde geopolítico, em homenagem à União Europeia; e um terceiro a um bom resultado do PSD nas eleições europeias de 26 de Maio. Estava dado o pontapé de saída para o quarto dia de campanha do PSD, dedicado ao interior do país.

Em Sernancelhe, o candidato social-democrata responsabilizou o seu adversário mais directo, o socialista Pedro Marques, pelo corte de 3,3 mil milhões de euros com impacto na coesão social e na agricultura, declarando que, se o PSD for Governo em Outubro, não permitirá esses cortes, que correspondem a uma redução total de 7% dos fundos. Anunciou que recorrerá ao veto para chumbar a proposta da Comissão Europeia que tem o pré-acordo do Governo português.

“Há uma coisa que posso garantir: connosco [no Governo] não vai haver cortes nos fundos de coesão, porque nós exerceremos o veto, se for caso disso”, declarou Paulo Rangel aos jornalistas, já depois da sua intervenção no final da acção de campanha em Sernancelhe, onde fez um vigoroso apelo ao voto no PSD.

Falando para uma plateia de 600 pessoas – o número é do próprio candidato –, Paulo Rangel foi directo ao assunto. “Dia 26 vai haver eleições europeias e é preciso que cada um de vós saiba que este Governo, pela mão do ex-ministro Pedro Marques, aceitou como bom um acordo com a Comissão Europeia em que Portugal perde 1,6 milhões de euros em fundos de coesão. Não é o Paulo Rangel que quer, e o Tribunal de Contas Europeu  diz no seu relatório de 27 de Março deste ano”, precisou.