O CDS foi às uvas e colou o PS aos empréstimos bancários a Berardo

Nuno Melo lembrou que o decreto de lei para a Fundação Berardo foi assinado por Costa, Sócrates e Teixeira dos Santos, em 2006, e logo a seguir o empresário conseguiu os empréstimos bancários para comprar acções.

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LUSA/NUNO VEIGA
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E ao quarto dia de campanha, o CDS foi às uvas. Melhor, Cristas, Melo e Mota Soares andaram a mondar (podar) vinha. Os centristas transformaram a visita à Herdade do Vale da Rosa, no distrito de Beja, num festival para a imagem. Nuno Melo anunciou que vai lutar pela criação, na União Europeia, de uma espécie de Erasmus para jovens agricultores. Os três centristas ficaram com uma garantia: se não forem eleitos têm emprego na herdade do concelho de Ferreira do Alentejo. Sob o vinhedo, Melo colou o PS aos empréstimos bancários concedidos a Joe Berardo.

“A gente gosta de ir ao campo”, disse Assunção Cristas pouco depois. E foram mesmo. Ocuparam o atrelado do tractor cor-de-rosa da empresa, entraram vinha dentro e desataram a mondar os calços da vinha.

Ao contrário da passagem discreta do candidato socialista, Pedro Marques, há dois dias, o CDS aproveitou a ocasião para trabalhar para a imagem e receber rasgados elogios do proprietário da herdade, António Silvestre Ferreira, que jura produzir “a melhor uva do mundo”.

Os centristas passaram no teste da poda. “Se falharem nesta tarefa que estão a disputar, têm emprego no Vale da Rosa”. Melo agradeceu, mas disse que, “por agora”, o objectivo é a Europa. 

Com a tarde dedicada à agricultura, Nuno Melo anunciou que vai lutar pela criação da “Semente Europa”, uma instituição “totalmente financiada pela UE” para levar jovens agricultores a conhecerem a realidade da agricultura de outros países.

Ainda sobre o vinhedo, Nuno Melo aproveitou a ocasião para voltar ao caso Berardo. Desta vez, para ligar José Sócrates, António Costa e Teixeira dos Santos aos empréstimos concedidos pela banca ao empresário madeirense. O número um da lista do CDS lembrou que o decreto-lei para a Fundação Berardo “foi assinado” em 2006 por aqueles três socialistas e, logo depois, “no mesmo ano foram-lhe concedidos os créditos”.

“O que mais choca neste caso é perceber que uma fundação que existe com fins artísticos e educativos possa ter beneficiado de créditos superiores a 350 milhões de euros para comprar acções de um banco. É obviamente absurdo, não se compreende que um banco público conceda créditos deste valor para uma luta accionista especulativa”, começou por dizer.

E logo a seguir acrescentou mais um dado: “A Fundação Berardo foi criada por decreto de lei em 2006, sendo que os créditos concedidos foram praticamente subsequentes. E quem subscreve o decreto de lei da Fundação Berardo? José Sócrates, António Costa e Teixeira dos Santos. (…) Esta delinquência bancária que custa muito dinheiro aos portugueses acaba por ter sempre dominadores comuns têm nomes.”

Na herdade que produz uvas sem grainha, Melo, questionado sobre que grainhas retirava desta campanha, respondeu de pronto: “As fake news”. Na verdade, queria falar nos “fake rankings”.

“Eu, por ser do CDS, parto logo em desvantagem nos rankings de influência [da União Europeia]. Se fosse socialista subia logo nos fake rankings (…). Eu não ando permanentemente em jantares com os jornalistas. (…) Eu espero é que um dia se façam rankings de trabalho”, afirmou.

No Alentejo a UE é tudo

Na manhã desta quinta-feira, o CDS escolheu o interior, ou melhor, o sucesso que é possível ter no interior como tema europeu da campanha e ilustrou-o com uma visita à multinacional aeronáutica Embraer, em Évora. Uma empresa que tem beneficiado os fundos europeus e que emprega 450 trabalhadores, mais 110 indirectos.

“A Europa traz tudo para o interior e os fundos não são simplesmente dinheiro, são também o que rasga e altera para melhor. Nesta empresa, por exemplo, algumas das máquinas altamente sofisticadas têm as placas dos fundos europeus que permitiram a sua aquisição”, acrescentou.

No final da visita tinha também uma crítica para o Governo, sobre o facto de não estar ainda disponível toda a frota de meios aéreos de combates aos incêndios: “Aqui [no Alentejo] não estão instalados os dois helicópteros fundamentais no combate aos fogos que estavam prometidos. Os helicópteros não chegaram ainda ao Alentejo num momento em que uma dívida de 11 milhões de euros mantém o SIRESP em pré-falência e em risco de não ser utilizável. (…) Quando no combate aos fogos não há meios aéreos nem SIRESP, não há ministro da Administração Interna nem há Governo.”