O design vencedor, com assinatura libanesa.
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O design vencedor, com assinatura libanesa. Sarah Saroufim

Uma garrafa sem “coisas engarrafadas”: eis a vencedora da Absolut Creative Competition

Depois dos concursos nacionais, 19 finalistas de diferentes países participaram na final da Absolut Creative Competition, que aconteceu na Suécia, esta quarta-feira, 15 de Maio. A vencedora foi a libanesa Sarah Saroufim: baseou-se na “liberdade de expressão” para reinventar a garrafa de vodka e alertar para a doença mental.

Don’t keep things bottled up ­ — em português, “não deixes as coisas engarrafadas”. Foi esta a mensagem que inspirou Sarah Saroufim a criar uma imagem onde balões de fala de todas as formas e feitios se libertam de uma garrafa; e foi com esta imagem que a designer libanesa venceu a Absolut Vodka Competition — que recebeu mais de 7500 trabalhos de candidatos de 19 países —, tornando-se assim na próxima colaboração artística da marca sueca. Além do prémio de 20 mil euros, vai também ver o seu cartaz exposto num outdoor “globalmente icónico”, ainda por revelar.

Saída “há cerca de um ano” da Universidade Americana de Beirut, no Líbano, Sarah Saroufim, 23 anos, viu na competição mundial uma “rampa de lançamento para um pouco mais de exposição”. Inspirou-se na “liberdade de expressão”, um dos princípios defendidos pela marca, e criou uma imagem colorida e diversa — como os pensamento ­—, para simbolizar a doença mental. A artista convenceu Mickalene Thomas, Aaron Cezar e Bose Krishnamachari — os júris da fase internacional do concurso — e foi a vencedora, entre os 19 finalistas (um de cada país envolvido), da Absolut Creative Competition, anunciada esta quarta-feira, 15 de Maio, em Estocolmo, na Suécia.

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A imagem vencedora, da concorrente do Líbano Sarah Saroufim

“Quanto mais falarmos de doença mental, mais perto vamos estar de ultrapassá-la”, referiu, numa descrição que enviou junto com o trabalho, para avaliação. Em entrevista ao P3, depois da entrega do prémio, foi mais longe: “Eu sou uma ‘noz dura de partir’ e não me abro muito às pessoas. Mas de todas as vezes que falei com alguém sobre os meus problemas, isso fez-me sempre sentir melhor.” A ideia é que as pessoas olhem para a imagem, a “fixem” e procurem “ultrapassar o que quer que estejam a passar”, explica.

Intenção que vai ao encontro do slogan da marca — Create a better tomorrow, tonight —, já conhecida por colaborações com artistas como Andy Warhol ou Keith Haring. Desta vez, a Absolut abriu as portas a artistas “anónimos”, através de um concurso feito para todos os que quisessem participar. As regras? Criar a imagem de uma garrafa que promovesse algum dos pilares da marca: “igualdade de género”, “liberdade de expressão” e de “amar quem queremos”, “sustentabilidade” e respeito pelo próximo, “independentemente de onde vem”.

Em Portugal, foram mais de 400 os trabalhos submetidos para avaliação e foi o projecto fotográfico de Susana Jacobetty que representou o país na final. A imagem de várias mãos a envolver uma garrafa simboliza a ideia de que “o abraço pode ajudar a fazer um amanhã melhor”, explicou. Embora se identifique com os outros pilares, a estilista portuguesa acredita na importância da “empatia": “A inclusão e a humanidade são fundamentais, portanto este era o princípio que para mim fazia mais sentido.”

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China Qianyue Wang
PÚBLICO - Colômbia
Colômbia Pedro Antonio Vidal González
PÚBLICO - Dinamarca
Dinamarca Christian Faber
PÚBLICO - Índia
Índia Archita Goyal
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Israel Moran Krigsman
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Itália Sara Capolungo
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Rússia Antonia Gapotchenko
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África do Sul Anda Mncayi
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Espanha Toni Lopez
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Suíça Catherine Pearson
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Roménia Sebastian Anastasiei
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Hong Kong Valerie Kwong
PÚBLICO - Portugal
Portugal Susana Jacobetty
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Grécia Maria Theofilou
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Polónia Weronika Slifierz
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Canadá Daniel Devoy
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Qianyue Wang

Para o painel de jurados, todos os finalistas mostraram “responsabilidade e compromisso social”, bem como “cultura popular” e consciência política: “Alguns dos países [envolvidos na competição] estão a passar por mudanças políticas e isso reflectiu-se no seu trabalho”, explicou Bose Krishnamachari, artista e curador indiano.

Aaron Cezar, fundador da organização de intercâmbio artístico Delfina Foundation, disse acreditar que “as gerações mais jovens estão a acordar”. “É quase como se andássemos em círculos e estas urgências [os princípios-base da marca] se tornassem mais visíveis”, explicou. Os jurados sublinharam a qualidade dos trabalhos finalistas — muito virados para o design gráfico, um “sinal dos tempos” — e saudaram o “risco” tomado pela Absolut ao “ajudarem as gerações mais jovens a dar um primeiro passo nas suas carreiras”. 

Entre 1986 e 2004, a Absolut trabalhou com mais de 550 artistas de todo o mundo, tendo um espólio de mais de 800 peças de arte, expostas no Spritmuseum, na Suécia. Entre pinturas, fotografias, esculturas, ou outros objectos, os artistas que colaboram com a marca fazem a sua interpretação da mesma coisa: a garrafa. Muitas das obras são reproduzidas em publicidade. A próxima poderá ser a de Sarah Saroufim — que para já não quer “criar expectativas”. Contenta-se com a possibilidade de inspirar alguém que veja o seu cartaz e “encontre nele o poder para se expressar”.

A jornalista viajou a convite da Absolut Vodka.