Afrobarómetro vai passar a ter dados sobre Angola

Organização considera que o país já cumpre os critérios depois da chegada de João Lourenço à Presidência que permitiu uma “abertura política” e “maior liberdade de expressão”.

O Afrobarómetro considera que a mudança de José Eduardo dos Santos para João Lourenço trouxe "abertura política"
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O Afrobarómetro considera que a mudança de José Eduardo dos Santos para João Lourenço trouxe "abertura política" JOÃO MAVINGA/Lusa

O Afrobarómetro, que realiza desde 1999 estudos de opinião sobre democracia e boa governação em África, vai passar a incluir dados de Angola. A organização não-governamental, fundada no Gana, que conta actualmente com respostas estatisticamente validadas de mais de 35 países do continente, considera que a abertura na política angolana, com a chegada de João Lourenço à presidência, já permite recolher dados credíveis.

Até agora, Angola e a Guiné-Bissau eram os únicos países na África de expressão portuguesa que não figuravam no maior consórcio de estudos de opinião pública do continente africano.

“Desta vez, o Afrobarómetro considerou que Angola já cumpria os critérios para ser parceiro, tendo em conta a abertura política que se regista, o que favorece maior liberdade de expressão aos cidadãos”, lê-se no comunicado da empresa que vai passar a recolher os dados em Angola, a Ovilongwa Consulting. 

Esta empresa foi constituída por quatro académicos angolanos, sem qualquer ligação ao poder em Angola, para participar no concurso público aberto pelo Afrobarómetro, destinado a seleccionar a sua parceira no país. São eles, os politólogos Carlos Pacatolo e José Pedro, o economista Avelino Kiampuku e o sociólogo David Boio.

Dois portugueses integram o projecto como consultores séniores internacionais, a politóloga Elisabete Azevedo-Harman, professora universitária e actual consultora da Assembleia Nacional de Angola, e o psicólogo social João António, responsável pelas sondagens políticas da Universidade Católica Portuguesa.

Os primeiros trabalhos de campo em Angola vão realizar-se ainda este ano em todas as províncias do país, com entrevistas presenciais em língua portuguesa e em línguas nacionais.