Prótoiro critica que já não seja obrigatório realizar touradas no Campo Pequeno

Quanto o espaço foi cedido à Casa Pia, esta era obrigada a ali realizar touradas. Agora é livre de promover o que entender.

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Reuters/RAFAEL MARCHANTE

A Prótoiro - Federação Portuguesa de Tauromaquia contestou que o presidente da Câmara de Lisboa tenha desobrigado a Casa Pia de realizar touradas na Praça do Campo Pequeno.

Em comunicado, a Prótoiro avança que “vai recorrer a todos os meios legais disponíveis de forma a garantir que a responsabilidade do Estado - de defesa e promoção da cultura em Portugal - seja assegurada”.

A mesma nota defende que os políticos “não podem ser factores de instabilidade social, nem provocarem clivagens entre os portugueses”.

“Os representantes do poder, seja ele local ou nacional, não são eleitos para defenderem apenas uma franja da população. Ocupam um lugar que exige o respeito pela diversidade, diferença e liberdade de todos os cidadãos”, reforça a Prótoiro.

O grupo municipal do PAN na Assembleia Municipal de Lisboa anunciou na terça-feira que presidente da câmara, Fernando Medina (PS), enviou uma carta à Casa Pia a desobrigar a instituição de realizar touradas na Praça do Campo Pequeno.

Na carta endereçada à Casa Pia de Lisboa, Fernando Medina recorda que a câmara deliberou em 1889 conceder à instituição o terreno onde actualmente se encontra instalada a Praça de Touros do Campo Pequeno, tendo então ficado estabelecido que o terreno voltaria para a gestão da autarquia em caso de ser dado “um destino diverso daquele para que foi requerida a licença": a realização de touradas.

No entanto, o presidente a autarquia salienta na missiva que “a Casa Pia de Lisboa tem a mais ampla liberdade na decisão quanto à actividade a realizar no recinto em causa e quanto aos termos e condições do contrato estabelecido com a Sociedade de Reabilitação Urbana do Campo Pequeno, ou outros que entenda vir a celebrar, sendo certo que a realização de espectáculos tauromáquicos nunca será para o município de Lisboa condição de manutenção da concessão”.

“Os princípios e valores de alta benemerência social que justificaram ao longo do tempo a atribuição de tais direitos pelo município são os mesmos que hoje exigem” que a Casa Pia decida poder “não vir a realizar naquele local espectáculos tauromáquicos”, reforça a carta redigida por Fernando Medina.

A Assembleia Municipal de Lisboa rejeitou em Julho uma recomendação do partido que pedia o fim das touradas na Praça de Touros do Campo Pequeno.

O terreno é da câmara, o edifício da Casa Pia e o BCP dono da Sociedade de Renovação Urbana Campo Pequeno que explora a praça.

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