Reparação da Ponte da Arrábida começa já esta quarta-feira

Infra-estruturas de Portugal já garantiu que a segurança da ponte não está em causa. Trabalhos de remoção controlada do betão destacado começam às 22h. Trânsito continua, para já, cortado

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Nelson Garrido
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A Infra-estruturas de Portugal vai iniciar já esta noite, a partir das 22 horas, os “trabalhos de remoção controlada do betão destacado” da ponte da Arrábida, depois da queda de vários pedaços ter levado ao corte do trânsito na marginal, nos dois sentidos, junto à ponte. O incidente não causou danos ou vítimas.

Depois de uma reunião com o executivo de Rui Moreira, a Infra-estruturas de Portugal confirmou tratar-se de “desprendimento de fragmentos de betão/ argamassa de revestimento das vigas do tabuleiro, os quais não constituem elementos estruturais da Ponte da Arrábida”. Não está em causa, por isso, a segurança da estrutura. Apesar de esses pedaços “serem de pequena dimensão, pela altura de queda e posição, a situação representa risco de danos aos utilizadores da avenida marginal”, acrescenta a IP numa nota. O trânsito só será reposto depois de a IP garantir a total segurança.

A IP revelou que a ponte tem tido “inspecções regulares”, a última realizada em 2013 com um estado de conservação considerado “bom”, estando prevista uma revisão de fundo para este ano. O LNEC - Laboratório Nacional de Engenharia Civil faz também “inspecções anuais às obras de arte especiais, nas quais se inclui a Ponte da Arrábida”, e o último relatório data de Janeiro de 2019.

No local foram, logo na noite de terça-feira, colocadas vedações pela Protecção Civil, de forma a impedir a circulação. No entanto, a ausência, nas primeiras horas da manhã, de forças da autoridade para informar os transeuntes de alternativas levou alguns, principalmente os que se faziam acompanhar de bicicletas, a forçar a passagem. 

As indicações impostas determinam, também, a proibição da circulação a pé, pelo que algumas pessoas estão a aproveitar os caminhos estreitos junto ao leito do rio para continuar o percurso. A circulação de automóveis está a ser está a ser desviada, na sua maioria, para a Rua do Campo Alegre, que se encontra congestionada pelo excesso de tráfego. Os peregrinos do Caminho de Santiago são alguns dos afectados.

“Os serviços de protecção civil municipais actuaram de imediato, captando imagens com um drone e determinando a interdição da via e pedindo a intervenção da IP, responsável pela manutenção daquela obra de arte”, sublinha a autarquia numa nota no seu site. “A pronta intervenção dos serviços da Câmara do Porto evitaram eventuais danos em viaturas ou pessoais”, conclui. 

Num comunicado enviado às redacções, o Ministério das Infra-estruturas e Habitação fez saber que “está a acompanhar a situação”, em estrita relação com o IP, e reforça a tese de que “não existem danos estruturais” na ponte, sendo que a "estabilidade e segurança" da mesma “não estão em risco”. O organismo refere ainda que os técnicos da Infra-estruturas de Portugal “já estiveram no local” e verificaram tratar-se de “argamassa de revestimento superficial”.

A IP já disse ter contratado “uma plataforma bybridge que permitirá dar início aos trabalhos de remoção controlada do betão destacado, no sentido de garantir a segurança da circulação" na ponte. Só depois dessa primeira intervenção, que deverá terminar às seis da manhã, “será possível aferir com detalhe se existirá necessidade de prolongar este trabalho por mais noites”. Em articulação com a Câmara do Porto, serão depois feitos os “trabalhos de reparação do revestimento inferior do tabuleiro da ponte”.

PSD quer saber se inspecção estava em dia

A “falta de manutenção e de fiscalização ou de atrasos em obras de manutenção” já foi denunciada noutras alturas e o PSD Porto quer ter a garantia de que a Ponte da Arrábida não é mais um caso, como o da Ponte 25 de Abril, a Luís I ou a Estrada de Borba, exemplificam. 

Por isso, depois da queda de pedaços da estrutura inaugurada em 1963, que considera “muito grave”, exigem que a Infra-estruturas de Portugal “ceda de imediato todos os registos do Plano de Manutenção da Ponte da Arrábida”, para avaliar “se foram cumpridas as acção inspectivas e correctivas do plano de manutenção” da ponte.

Os sociais-democratas recomendam ainda que uma “instituição independente como o LNEC” possa “avaliar a real situação”. Não apenas da Arrábida, mas de “todas as infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias nacionais na cidade”.