Extrema-direita contra Greta e contra Órban

Greta Thunberg é o alvo da Alternativa para a Alemanha. Na Hungria, o Jobbik ataca Órban

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Reuters/VINCENT KESSLER

Há um partido europeu que decidiu colocar o negacionismo das alterações climáticas como estratégia para captar eleitores. Qual? Alternativa para a Alemanha, o partido de extrema-direita que elegeu sete deputados nas eleições europeias de 2014 e já tem 94 deputados no Parlamento alemão (em 709). Parece um movimento contra-intuitivo tendo em conta que o eleitorado alemão é o mais preocupado com questões ambientais, segundo uma sondagem da YouGov que avaliou as percepções em sete países.

Mas as coisas são como são. Enquanto as crescentes preocupações ambientais estão a levar os conservadores da Bavária a tornarem-se mais verdes (“Go green”, como escreve a versão inglesa do jornal Handelsblatt), a Alternativa para a Alemanha insulta a adolescente sueca que se tem tornado um símbolo do combate às alterações climáticas, Greta Thunberg. Como escreve The Guardian, foi antes da campanha para as europeias que Greta se tornou um alvo para a Alternativa para a Alemanha. Entre outros insultos, os membros do partido comparam a adolescente a “um membro de uma organização juvenil nazi”. Um dos candidatos da AfD às eleições europeias, Maximilian Krah, disse que Greta devia “procurar tratamento” para a sua “psicose”.

Hungria – Há pior que Órban

O Jobbik teve 19,06% nas últimas legislativas húngaras – foi o segundo partido mais votado. É um partido irmão da Frente Nacional de Marine Le Pen, com quem partilha a mesma família política no Parlamento Europeu e o mesmo ideário racista e xenófobo. Nos últimos anos tem vindo a moderar a retórica extremista – tal como a Frente Nacional. Esta terça-feira, o líder adjunto do Jobbik deu uma conferência de imprensa para criticar o plano contra a imigração do governo de Viktor Órban. O Jobbik queixa-se da quantidade de trabalhadores imigrantes que existem na Hungria, que vêm substituir os húngaros que saíram do país em busca de melhores salário. O Jobbik chama a isto “um genocídio dos tempos modernos”. Órban é acusado de “reter trabalho barato”, sem se preocupar “para onde os emigrantes húngaros vão e de onde os imigrantes vêm”. Segundo Peter Jakab, o nº 2 do segundo maior partido húngaro, o governo de Órban permitiu a entrada a “86 mil imigrantes em três anos” e “isto é só o começo”.

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