Putin quer restabelecer ligações com EUA, que pedem o fim do apoio russo a Maduro

Governo russo considerou que as conclusões do relatório Mueller são suficientes para reatar laços diplomáticos. Norte-americanos pedem o fim do apoio russo a Maduro na Venezuela.

Vladimir Putin com Mike Pompeo
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Vladimir Putin com Mike Pompeo EPA/ALEXANDER NEMENOV / POOL

O Presidente russo, Vladimir Putin, declarou esta terça-feira, ao receber o chefe da diplomacia norte-americana, Mike Pompeo, querer “restabelecer relações completas com os EUA”.

Putin saudou o inquérito “objectivo” de Robert Mueller, sem mencionar o facto de o relatório que o procurador especial redigiu ter estabelecido a existência de uma ingerência russa na eleição presidencial dos EUA em 2016.

“Tenho a impressão de que o Presidente [Donald Trump] pretende reconstruir as relações entre os Estados Unidos e a Rússia e os contactos para resolver os temas de interesse mútuo”, disse.

Putin tirou esta conclusão da sua recente conversa telefónica com Trump, como disse no início da reunião com Pompeo. “Pela nossa parte, temos dito que também gostaríamos de reconstruir as relações e esperamos que agora se esteja a criar um clima propício para isso”, acrescentou.

Putin disse ainda que a conspiração “não encontrou rasto de uma conspiração” entre Trump e o Kremlin para permitir àquele ganhar as eleições à candidata democrata Hillary Clinton.

“Dissemos que eram absolutamente falsas” as acusações, realçou Putin, que destacou também que a investigação sobre a alegada ingerência russa nas eleições foi “uma das razões” que levaram ao congelamento das relações bilaterais.

“Espero que esta situação esteja a mudar agora”, acrescentou Putin, que expressou o desejo de voltar a cooperar com os EUA em temas como a luta contra grupos criminosos, a erradicação da pobreza e às armas.

Pompeo, por seu lado, garantiu a Putin que Trump “quer exactamente isso”. Mas advertiu Lavrov contra a tentativa de interferência nas próximas eleições presidenciais norte-americanas, considerando “inaceitável”. “Se os russos o fizessem em 2020 [ano das próximas eleições], colocariam o nosso relacionamento numa situação ainda pior”, referiu.

Já o ministro russo classificou as acusações de conluio entre Trump e a Rússia como “pura ficção” e disse esperar que a publicação do relatório de Robert Mueller contribua para o retomar de diálogo entre os países.

O ministro russo avançou também que a Rússia “reagirá positivamente” a um pedido de reunião entre Putin e Trump, depois de o norte-americano ter anunciado que se encontraria com o homólogo russo e chinês, Xi Jinping, na cimeira do G20.

Pompeo pediu à Rússia para retirar apoio a Maduro

O secretário de Estado norte-americano pediu ao seu homólogo que a Rússia retire o apoio ao Presidente venezuelano, Nicolás Maduro. 

Os Estados Unidos reconhecem Juan Guaidó como Presidente interino e a Rússia mantêm o apoio a Nicolás Maduro. “Os Estados Unidos e mais de 50 países consideram que chegou a hora de Maduro abandonar o poder”, afirmou Mike Pompeo, numa conferência de imprensa conjunta com Sergue Lavrov em Sochi, acrescentando que a renúncia de Maduro é necessária para “acabar o sofrimento do povo venezuelano”.

Além disso, assegurou que a posição norte-americana é que sejam os venezuelanos a escolher os seus dirigentes, apesar de enfatizar que o país deve ser uma democracia.

Do lado russo, Sergei Lavrov respondeu que “não se pode instaurar uma democracia pela força” e acusou os EUA e Guaidó de recorrerem continuamente a ameaças de uma possível intervenção militar, o que, na sua opinião, “não tem nada que ver com uma democracia”.

Noutros assuntos da reunião, o chefe da diplomacia norte-americana afirmou que os EUA querem evitar uma possível guerra com o Irão, numa altura em que as tensões entre ambos países crescem.