Fase instrutória de Alcochete adiada

O início da fase de instrução do processo do ataque à Academia do Sporting estava marcado para ontem

A fase instrutória do processo judicial da invasão da academia de Alcochete, em que o ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho é arguido, não teve início ontem, como estava previsto. Isto porque um advogado de um dos arguidos suscitou um incidente de recusa do juiz Carlos Delca, com vista ao seu afastamento e subsequente substituição por outro magistrado.

Trata-se do terceiro advogado a invocar a falta de imparcialidade do magistrado. Até aqui todos os incidentes deste género suscitados pelas defesas têm sido recusados pelo Tribunal da Relação de Lisboa. Porém, o facto de este novo incidente, levantado pelo advogado Nuno Areias, que representa o arguido Tiago Neves, ter sido apresentado em cima do arranque da fase instrutória teve como consequência o adiamento do início deste pré-julgamento, no final do qual o juiz decidirá se existem ou não indícios suficientes de crime para levar os 44 arguidos a julgamento.

A grande maioria dos suspeitos, 37, está em prisão preventiva. Há um suspeito em prisão domiciliária e seis em liberdade.

O juiz de instrução criminal Carlos Delca não chegou sequer a dar início aos trabalhos, tendo expressado o desejo de que este tipo de episódios não se repitam mais 40 vezes, tantas quanto os arguidos que ainda não suscitaram este tipo de incidente. "A vida é assim. Vamos ver quem é que agora em Portugal diz que a justiça é lenta", ironizou o magistrado.

O adiamento deverá durar pelo menos um mês - o tempo de o Tribunal da Relação de Lisboa se pronunciar sobre o assunto pela terceira vez. Das duas últimas vezes os juízes da Relação entenderam não existir razões para afastar Carlos Delca do processo.

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