Crónica de jogo

FC Porto não vacila e adia a decisão do título

“Dragões” goleiam e despromovem Nacional, chegando à última jornada com a esperança intacta, apesar de o rival da Luz não desarmar na liderança.

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LUSA/GREGORIO CUNHA
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O FC Porto não vacilou na Madeira, levando a decisão do título para a última jornada. No processo, despromoveu um Nacional sem grandes ilusões, mas que antes de ter atingido a penosa marca dos 70 golos sofridos na competição (0-4), ainda tentou agarrar-se a uma espécie de tábua de salvação, lançada por Militão e Vaná, mas que o avançado colombiano Brayan Riascos (com um golo em toda a época) não teve calma nem engenho para aproveitar.

A injecção de adrenalina provocada pelo susto resultou na perfeição para os portistas, que na resposta se colocaram em vantagem graças a um livre directo de Alex Telles. Com o “centenário” Otávio no lugar do lesionado Brahimi e Óliver Torres a render Herrera, o FC Porto tentava explorar as flagrantes fragilidades da equipa insular. Mas como tanto  Marega como Soares tardavam em romper com sucesso as linhas adversárias, de forma a consolidar a vantagem conquistada pelo lateral brasileiro, coube a Óliver a missão de desmoralizar o Nacional. 

O espanhol beneficiou de um erro na transição defensiva dos insulares, bem explorado por Corona, para receber um passe de calcanhar do mexicano e embalar para a área, concluindo de pé esquerdo. O segundo golo dos “dragões” foi também o segundo de Óliver na competição, o que ainda não satisfazia as pretensões dos portistas, escaldados pela recente experiência traumática de Vila do Conde. Especialmente quando Manafá, no segundo erro do sector defensivo visitante, ofereceu o flanco a Riascos, com o colombiano a desperdiçar mais uma vez e a perder a oportunidade de pressionar os “azuis e brancos”. 

Sérgio Conceição poderia ter descansado na sequência de uma iniciativa de Marega, mas o maliano mostrava que também não estava particularmente inspirado. A vantagem “confortável” e a aparente tranquilidade portista não iludiam as elevadas temperaturas, pelo que o desgaste teria de ser um factor a ter em consideração na segunda parte. 

Mas o regresso determinado de Corona, com dois avisos nos primeiros cinco minutos, acabaria por ser premonitório. O mexicano obrigou Daniel Guimarães a brilhar para, poucos minutos depois, descansar o FC Porto, que encerrava a questão com o selo de qualidade de Otávio, a lançar Marega. O maliano limitou-se a cruzar para entrada de Corona, que marcava o terceiro golo na Liga e sétimo na época. 

Ao Nacional restava uma despedida dos grandes palcos com o máximo de dignidade possível. Mas o penálti assinalado por Carlos Xistra (69’), por suposto derrube de Felipe a Riascos, foi negado pelo videoárbitro. O árbitro havia já negado um par de lances polémicos na área do Nacional, ambos por alegada falta sobre Otávio, mas acabaria por assinalar um castigo máximo por mão de Alhassan, já muito perto do nonagéssimo minuto. Aproveitou Marega para marcar o 11.º golo no campeonato e 21.º na temporada, igualando Soares. 

Mesmo desinspirado, Marega voltou a marcar, conseguindo quatro golos nas últimas cinco rondas, apesar de ter sido o primeiro da marca de onze metros. Um golo que para o Nacional significava o fim da resistência e a queda para a II Liga. Por sua vez, para os portistas, a conquista dos três pontos na Choupana traduzia-se numa efémera vantagem de um ponto, anulada pelo Benfica na deslocação a Vila do Conde.