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Rebeldes huthis começam a sair de Hudheida, mas Governo do Iémen desconfia

Retirada da cidade portuária no Mar Vermelho é um ponto crucial para que o acordo de cessar-fogo assinado em Dezembro possa ser cumprido.

Forças huthis em retirada de Hudheida
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Forças huthis em retirada de Hudheida ABDULJABBAR ZEYAD / Reuters

Os rebeldes huthis iniciaram este sábado a retirada do porto que ocupam na cidade de Hudheida, dando o primeiro passo significativa para o cumprimento de um acordo de cessar-fogo que visa pôr fim aos combates no Iémen, num conflito que se arrasta há quatro anos. O Governo iemenita no exílio desvaloriza, no entanto, a acção dos seus adversários, dizendo servir apenas como “desinformação”.

As forças huthis começaram a sair dos portos de Salif, usados para o comércio de cereais, e de Ras Isa, para o petróleo, este sábado de manhã, de acordo com testemunhas citadas pela Reuters. Uma dúzia de camiões com combatentes armados com RPG (lançadores de granadas com propulsão) e metralhadoras saíram de Salif durante o dia. Na zona portuária, as operações decorriam de forma normal, disse à Reuters uma testemunha.

O Comité Coordenador de Redistribuição de tropas da missão da ONU no Iémen disse que a retirada é “o primeiro passo no terreno” rumo à implementação do acordo de cessar-fogo fechado em Dezembro. A missão vai verificar a movimentação das tropas rebeldes, às quais se devem seguir “acções comprometidas, transparentes e sustentadas das partes para que cumpram por inteiro as suas obrigações”.

A retirada dos huthis de Hudheida, importante cidade portuária no Mar Vermelho, é um dos compromissos presentes no acordo assinado na Suécia em Dezembro. Os rebeldes, acusados de terem apoio velado do Irão, controlam os principais centros urbanos do país. O conflito que os opõe às forças leais ao Presidente Abd-Rabbu Mansour Hadi, apoiadas por uma coligação internacional liderada pela Arábia Saudita, fez dezenas de milhares de mortos, deixou 20 milhões de pessoas em risco de morrer à fome e destruiu praticamente todas as infra-estruturas do país.

O acordo mediado pela ONU em Dezembro tem tardado em surtir efeitos, com ambas as partes a acusarem-se mutuamente de violações aos seus termos. Hudheida em concreto tornou-se num dos pontos mais quentes do conflito, depois de no ano passado as forças governamentais terem tentado tomar a cidade, e o seu abandono pelos huthis será crucial para que o cessar-fogo possa ser aplicado.

O Governo iemenita disse, no entanto, que a retirada não passou de um “espectáculo flagrante” destinado apenas a impressionar a opinião pública internacional. “É uma tentativa de enganar a comunidade internacional nas vésperas da reunião do Conselho de Segurança da ONU”, disse à Reuters o ministro da Informação, Muammar al-Iryani.

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