Uber estreia-se em bolsa a valer 82.400 milhões de dólares

Empresa garantiu a entrada de 8100 milhões de dólares com a aposta de investidores que não parecem assustados com o historial de prejuízos consecutivos.

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Reuters/BRENDAN MCDERMID

Com o mercado a atribuir-lhe um valor que, apesar dos prejuízos consecutivos, é um terço do PIB português e o dobro do valor da Ford, a Uber estreou-se esta sexta-feira na Bolsa de Nova Iorque. O desafio da plataforma de transportes de passageiros será agora o de, no curto prazo, evitar o mesmo tipo de desvalorização registada pela rival Lyft e, depois, convencer os investidores que, no horizonte, é possível vislumbrar uma operação com lucros.

O momento para realizar a Oferta Pública Inicial não foi o ideal. Durante esta semana o ambiente nos mercados tornou-se bastante negativo devido aos sinais de desentendimento entre os EUA e a China nas suas negociações comerciais. Isso pode explicar, em parte, porque é que, apesar da procura acima da oferta, a Uber decidiu colocar, quinta-feira ao fim do dia, o preço de venda por acção nos 45 dólares, colado ao valor mínimo do intervalo entre 44 e 50 dólares que era esperado.

A empresa conseguiu obter 8100 milhões de dólares (cerca de 7200 milhões de euros) pelas acções colocadas, o que equivale a valorizar a Uber em 82.400 milhões de dólares (cerca de 73.300 milhões de euros).

A estreia em bolsa do novo título está a gerar bastante expectativa. Uma dúvida está em saber se a Uber irá evitar aquilo que aconteceu à Lyft, a sua grande concorrente no mercado norte-americano, que depois de um arranque bastante positivo a seguir ao seu lançamento em Março, tem vindo a registar perdas muito significativas nas cotações. A Uber terá tentado fugir a um destino semelhante, não exagerando na cotação inicial. “A oferta da Lyft levou-nos a ser um pouco mais conservadores”, afirmou o CEO da empresa, Dara Khosrowshahi.

Ainda assim, o problema, tanto no imediato como a prazo, será a empresa conseguir provar que, para além dos mercados que conquista, será também capaz de no futuro ambicionar a obtenção de alguns lucros, ou no mínimo menos prejuízos. Desde que foi criada, a Uber, apesar da forma como contribuiu para revolucionar os mercados de transporte em diversas cidades, apenas tem registado prejuízos.

Os responsáveis têm apostado em usar o capital de que têm vindo a dispor (através da entrada directa de investidores) para financiar a expansão do negócio um pouco por todo o mundo e para apostar em novos mercados para além do transporte de passageiros, como a entrega de refeições. Em 2018, os resultados negativos atingiram os 3000 milhões de dólares (cerca de 2660 milhões de euros).