Crítica

O amor e a sida na Paris dos anos 90

Não é “mau”, e os actores são bons. Mas é pesado, quando quereria ser apenas grave.

Foto

Se imaginássemos uma competição, que teria vários participantes possíveis, mas alguns candidatos de topo (Assayas, Ozon, Christophe Honoré...), para decidir quem é o François Truffaut dos tempos modernos, conciliando respeitabilidade artística e intelectual, gosto por formas narrativas populares, e aceitação pelo “grande público”, Honoré ficaria, depois deste filme, um pouco mais próximo da meta: foi o primeiro a lembrar-se de filmar, in loco, no Cemitério de Montmartre, um plano do autêntico túmulo de Truffaut, visitado pela personagem que mais tem em comum com Honoré (vinte e poucos anos no princípio da década de 90, época da acção, como ele então tinha, e aspirações a ser crítico de cinema e realizador, como Truffaut foi e Honoré veio a ser). O gesto de autofiliação, como uma homenagem que pretende dizer mais sobre quem homenageia do que sobre quem é homenageado, parece bastante expresso, e, na verdade, não tem mal nenhum, é só uma coisa que se regista (como se regista, já agora, que outro túmulo filmado na mesma sequência é o de Koltès).