Os homens que disputam a África do Sul

Um discíplo de Mandela, um líder da oposição criticado por ser negro e um enfant terrible - são estes os líderes dos partidos que nesta terça-feira disputam o poder regional e nacional nas eleições gerais na África do Sul.

Howick
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As eleições gerais são nesta quarta-feira na África do Sul Reuters

Cyril Ramaphosa, o “filho pródigo” de Mandela

O antigo sindicalista é conhecido por ser um negociador hábil e pragmático, uma fama que ganhou depois de ter liderado as negociações com o regime sul-africano que levaram ao fim do apartheid. Ao substituir Jacob Zuma, prometeu introduzir reformas económicas e lutar contra a corrupção no interior do ANC. 

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Tem de lidar com os problemas de enormes disparidades raciais na riqueza que persistem no país apesar de o regime de apartheid ter terminado há 25 anos e também de inverter a queda de apoio ao ANC.

Todos os candidatos puseram a criação de emprego no centro dos seus programas — cerca de 27% dos sul-africanos não tinham emprego no último trimestre do ano passado, numa definição restrita de emprego, diz a Reuters. Entre os sul-africanos negros jovens, a taxa de desemprego é de um em cada dois. 

Reza a história que Ramaphosa, hoje com 66 anos, era o favorito do Presidente Nelson Mandela para lhe suceder, mas a oposição de certos sectores do Congresso Nacional Africano (ANC) travaram a sua ascensão ao poder. Dedicou-se ao mundo dos negócios e em poucos anos construiu um império que o tornou num dos homens mais ricos do país.

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Mmusi Maimane, o teólogo que revolucionou a oposição

Em 2015, Mmusi Maimane tornou-se no primeiro líder negro da Aliança Democrática (DA), o principal partido da oposição ao ANC. A sua eleição foi um marco histórico para um partido que nunca conseguiu vencer a resistência da população negra, que o encarava como uma continuação do sistema de opressão branca. Mas também isso funcionou contra o dirigente de 38 anos, com os críticos a reduzirem o mérito da sua subida à liderança da DA apenas pela cor da pele.

Nascido no Soweto, casado com uma branca – os casamentos inter-raciais ainda são uma excepção na África do Sul – e formado em Teologia, Maimane chegou à liderança do maior partido da oposição desprovido de experiência política. Porém, assistiu ao resultado histórico alcançado nas eleições municipais de 2016, onde a Aliança se consolidou como o grande partido dos centros urbanos, conquistando Joanesburgo, Pretoria e Porth Elizabeth.

Com uma vitória a nível nacional fora de qualquer expectativa realista, o partido aposta em triunfos ao nível regional. O grande prémio é a província de Gauteng, a mais rica do país, que as sondagens indicam estar ao alcance da DA.

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Julius Malema, o extremista desbocado

A rebeldia e a controvérsia andaram sempre de mãos dadas com Julius Malema, de 38 anos, o enfant terrible da política sul-africana. Foi acusado em duas ocasiões de discurso de ódio, uma das quais por cantar uma canção de apelo à morte dos brancos, e nem o sagrado Mandela – a quem chegou a chamar de “vendido” – escapa à sua retórica incendiária.

A expulsão, em 2012, do ANC não o empurrou para fora da política. Fundou o Combatentes Económicos pela Liberdade (EFF) à sua imagem: polémico, extremista e exibicionista. Os deputados vestidos de macacão vermelho e capacete em pleno Parlamento tornaram-se numa das suas imagens de marca. Malema e os seus “combatentes” reclamam a herança revolucionária que dizem ter sido posta de lado pelo ANC, e têm granjeado apoio com essa posição.

O programa dos EFF está assente no conflito permanente entre negros e brancos, e têm dominado o debate sobre a reforma agrária, defendendo a expropriação forçada dos proprietários brancos. As sondagens indicam que o partido irá conseguir consolidar a sua posição como segundo maior da oposição ao ANC após as eleições de quarta-feira.