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Alimento ou lixo? Estes microplásticos confundem os animais marinhos

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O objectivo é “criar confusão”. A mesma confusão que os animais marinhos “sentem em ambiente real”, quando “encontram um pedaço de plástico e o confundem com o seu próprio alimento”, acabando por ingeri-lo “de forma aleatória ou por engano”. Por isso mesmo, Filipa Bessa, bióloga investigadora do MARE (Centro de Ciências do Mar e do Ambiente), da Universidade de Coimbra, baptizou o conjunto de fotografias, em exposição em Bruxelas, no edifício Berlaymont, sede da Comissão Europeia, de Zooplastics: “Todos os microplásticos que, de certa forma, nos fazem lembrar animais.”

A investigadora tem estudado a poluição por plásticos “ao longo dos últimos anos” e começou a fotografar os microplásticos que encontrava “nos rios, nas praias, em estômagos de peixes ou em mexilhões”, conta ao P3. Depois, quase como um passatempo, decidiu compilá-los por “cores ou tipologias” — em 2018, as fotografias valeram-lhe um prémio: venceu o concurso mundial da campanha CleanSeas com uma imagem de microplásticos presentes em sal marinho. Actualmente, tem “um catálogo bastante alargado” destes pedaços de plástico “muito pequeninos”, com menos de cinco milímetros de diâmetro, definidos pela comunidade científica como microplásticos. Alguns podem apenas ser vistos ao microscópio, o que não quer dizer que não sejam nocivos: além de já terem sido descobertos em estômagos de animais, já foram também encontrados vestígios em fezes humanas.

A exposição fotográfica foi inaugurada a 30 de Abril, no âmbito do lançamento de um parecer desenvolvido pelo Mecanismo de Aconselhamento Científico (SAM) da Comissão Europeia, que se debruça sobre “o que sabemos e não sabemos sobre os microplásticos”. As fotografias de Filipa Bessa, todas captadas no Estuário do Mondego, fazem a comunicação do relatório. A começar pela capa, que mostra microplásticos quase imperceptíveis a olho nu, mas visíveis quando uma lupa é apontada a eles — uma metáfora do que a investigadora pretende fazer: “Apontar um passo. Verificar que existem muitos plásticos com tamanho reduzido”, mas que estão lá.

Ainda que as pessoas estejam "mais conscientes do problema do plástico", a investigadora acredita que ainda há um desconhecimento sobre o que acontece ao plástico que fica no ambiente: "Vai-se fragmentando e ficando cada vez mais pequeno", acabando por interagir com espécies ou espalhar-se pelo mundo. Em Abril, um estudo encontrou grandes quantidades de partículas de plástico invisíveis a olho nu no topo dos Pirenéus. Levados pelo vento, os microplásticos podem viajar pelo menos 100 quilómetros — e os investigadores responsáveis não negam que a distância possa ainda ser maior.

Filipa Bessa
Filipa Bessa
Filipa Bessa
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