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A juventude no século XXI: ainda queremos mudar o mundo?

Um ano e cinco edições depois, a revista Electra, da Fundação EDP, reflecte sobre o tempo e a juventude – a eterna e a efémera. Mas o que significa, afinal, ser jovem para sempre?

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Em 1984, os Alphaville cantavam pela primeira vez, a viva voz, um pedido universal: “quero ser para sempre jovem” [“I want to be forever young”, no original]. Na ficção já se encontrou a solução para cumprir este sonho, mas no filme da vida real ainda não vimos esse twist. O tempo é uma inevitabilidade que faz parte da existência. Falar do impacto da passagem do tempo é falar da evolução que decorre da prática, do crescimento da infância à velhice, enquanto se tenta guardar a juventude, ou da responsabilidade que acarreta a experiência.

Na história de Peter Pan, há uma ilha onde as crianças não crescem e ficam jovens para sempre. Na realidade, embora a aparência mude à boleia do tempo, ouve-se que há uma criança dentro de cada adulto. Na Electra Nº5, a juventude é um “contra-fantasma”, nas palavras de José Manuel dos Santos e António Soares, algo que se vê para lá do imediato da figura humana e da forma como vê o mundo. É também esse o caminho que a revista trimestral da Fundação EDP se propõe a fazer: ir para lá do óbvio. A revista já está à venda e custa 9 euros.

Ser como os jovens que não se cansam

A experiência do tempo é naturalmente diferente de pessoa para pessoa, pelo que as perspectivas sobre a sua passagem são também distintas. As gerações renovam-se e a juventude, efectiva ou subjectiva, contribui para o entendimento que se tem do mundo. O especial “Jovens para Sempre” é o tema central da revista Electra, que reclama a sua ‘adolescência’ um ano depois das primeiras páginas, com uma energia jovem que quer olhar a realidade e a questiona.

Esta viagem inicia-se na memória, passa pela renovação dos tempos e encontra-se na continuidade de uma linha temporal que se mantém mesmo no caos. Jon Savage recupera “A Era da Adolescência” para construir o percurso da juventude na história recente, entre tempos calmos e conflituosos. “A Primeira Guerra Mundial veio dar outro relevo à percepção da juventude”, realça o autor. A morte dos jovens destacados acentuava a efemeridade, enquanto o pós-guerra trazia a obrigação de construir um mundo melhor e mais pacífico. É também sobre responsabilidade que escreve o filósofo Remo Bodei, mais concretamente das gerações actuais para com as que se seguem.

Não se poderá entender completamente esta questão sem o texto de António Guerreiro, “Juventude, a Eterna e a Efémera”. “A juventude é hoje um ideal que se materializa num universo de representações e códigos estéticos e sociais que se universalizaram e ultrapassam largamente fronteiras etárias”, defende o editor.

A escola da vida

Os professores fazem parte da juventude, sendo a sua participação uma mais-valia para o debate. Os jovens são personagens na vida do professor e poeta Daniel Jonas, que recorre à cinematografia para questionar a vida no seu “Esplendor na Relva”. Já o optimismo chega dos bairros de Paris, com Matilde Castro Mendes. Do mito à realidade dos imigrantes, e mais além, a professora viaja entre os conceitos e cruza a juventude com a política, desafiando estereótipos. A sua perspectiva partilha semelhanças, assim como diferenças, com a de Vinícius Nicastro Honesko, que assina “Pasolini e a Possibilidade de Exceder o Poder”.

Dos bairros lisboetas sai “Todos sem Excepção Têm a Máxima Culpa”, de António Pedro Marques, que recorre às ruas da memória para reflectir sobre o impacto da sociedade na construção do jovem e do que o rodeia. Por seu lado, José Bragança de Miranda diz que “um muro de palavras foi edificado, fortalecido por conceitos, calculado estatisticamente, tudo isso suportado por uma certa biopolítica da juventude”, chamando à conversa a velhice. Têm também a palavra ​cinco jovens que partilham entendimentos diferentes sobre a juventude (e não só).​

Temas e mais temas

Além do tema principal que desenha a quinta edição da Electra, há muito mais para analisar e descobrir. Destaque para Michael Morris e o atelier SEArch+ com “5 Casas em Marte”, possíveis residências para o planeta vermelho. No âmbito deste projecto, o arquitecto explora materiais encontrados na superfície do planeta vermelho e as tecnologias adoptadas. Michael Morris tem colaborado com a agência espacial NASA no estudo da possibilidade de construir e habitar em situações extremas no espaço.

São imagens verdadeiramente memoráveis, tal como a conversa de António Guerreiro com Elisabeth Lebovici. A historiadora e crítica de arte fala sobre o impacto da SIDA, tendo por base o seu livro Ce que le sida m’a fait. Para ler também: “Marcel Proust e o Dinheiro”, de Michel Erman, “Eu só acreditaria num deus que soubesse dançar”, de Jeremy Gilbert, e “Notas à volta de Der Diktator”, de Rafael R. Villalobos. Isto e muito mais em mais de 200 páginas sobre cultura, política, arte e sociedade, na revista Electra de Primavera.​