Procura interna segura crescimento de 1,7% em Portugal

Comissão Europeia aponta para forte abrandamento da zona euro, um cenário que prejudica as exportações portuguesas durante este ano e o próximo. Consumo privado e investimento evitam nova revisão em baixa da projecção de crescimento para Portugal.

Pierre Moscovici, comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros
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Pierre Moscovici, comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros LUSA/STEPHANIE LECOCQ

Numa Europa a passar por uma fase de crescimento lento, é na procura interna que a economia portuguesa vai encontrar a força para mais dois anos de convergência com a média da zona euro, prevê esta terça-feira a Comissão Europeia. A economia portuguesa continua contudo a crescer menos do que os outros países de pequena dimensão e rendimento baixo da zona euro.

Nas previsões de Primavera agora publicadas, a Comissão Europeia volta a apontar, tal como tinha feito há três meses, para um crescimento do PIB português de 1,7% tanto este ano como em 2020. Esta projecção interrompe a série de revisões em baixa que vinham sendo feitas pelo executivo europeu nos seus últimos relatórios, mas fica ainda assim abaixo das expectativas de crescimento do Governo português, que está à espera de um subida de 1,9% do PIB este ano.

No relatório, a Comissão afirma que, em Portugal, “a expansão económica deverá continuar a ser feita a um ritmo moderado apesar da contribuição mais fraca das exportações líquidas, graças à força do consumo privado e do investimento”.

Ou seja, o crescimento de 1,7% acontece num cenário em que a conjuntura internacional não ajuda, especialmente pelo facto de na zona euro o crescimento não passar, este ano, dos 1,2% (uma revisão em baixa face aos 1,3% projectados em Fevereiro nas previsões intercalares), com destinos importantes das exportações portuguesas, como a Alemanha ou a Itália, praticamente a estagnarem (crescimento de 0,5% na Alemanha e de 0,1% na Itália).

Isto faz com que as exportações portuguesas possam, depois do desempenho mais fraco de 2018, voltar a abrandar em 2019, crescendo apenas 3,2%. Para as importações, a previsão é de um crescimento de 4,9%, o que significa que o crescimento das exportações líquidas será negativo e o saldo comercial ficará mais negativo.

A contribuir para o crescimento está o facto de o consumo privado manter um ritmo de progressão relativamente elevado este ano, de 2,3% face aos 2,5% de 2018, ao mesmo tempo que se espera uma aceleração do investimento, passando de 4,4% em 2018 para 4,6% em 2019 e 5% em 2020, resultado justificado com o aumento da entrada de fundos europeus na economia.

Neste cenário, de maior contributo da procura interna para o crescimento, o receio relativamente ao equilíbrio externo da economia portuguesa naturalmente aumenta. De acordo com a Comissão Europeia, a balança comercial vê o seu défice agravar-se, de 6,2% do PIB em 2018 para 7% em 2019, mas ainda assim, com a ajuda da esperada aceleração dos fundos europeus, o saldo global com o exterior, que em 2018 caiu de 1,1% do PIB para apenas 0,2%, garante uma situação de equilíbrio em 2019, voltando a ficar positivo (0,1%) em 2020.

Com as variações do PIB de 1,7% em 2019 e 2020 previstas pela Comissão Europeia, Portugal prolonga por mais dois anos o período de convergência com a média da zona euro, que se iniciou em 2017. Isto acontece, contudo porque as maiores economias da moeda única, como a Alemanha, Itália e França registam todas crescimento abaixo do português.

Face a outros países com economia de dimensão e nível de rendimento mais semelhantes, o desempenho português não impressiona. Portugal terá, segundo a Comissão, apenas a 12ª taxa de crescimento mais forte entre os 19 países da zona euro. Para a Espanha, a taxa de crescimento prevista é de 2,1% em 2019 e de 1,9% em 2020.