Paulo Portas aconselha a “nunca subestimar António Costa”

Antigo vice-primeiro-ministro defendeu que recuo de PSD e CDS “foi bom” para o país

Paulo Portas considerou que a crise seria "favorável" a António Costa
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Paulo Portas considerou que a crise seria "favorável" a António Costa Daniel Rocha

O ex-líder do CDS-PP Paulo Portas sustentou que a “crise política” criada pelo primeiro-ministro seria “favorável” para o próprio porque lhe permitia retirar credibilidade ao PSD e CDS sobre as contas públicas. No seu espaço de comentário Global, na TVI, Paulo Portas deixou um conselho: “Nunca subestimar António Costa”.

Num comentário sobre política nacional – que é raro neste espaço sobretudo dedicado à política internacional –​ , Paulo Portas considerou que “esta era a crise que António Costa desejaria ter” não só porque “retira ao PSD e ao CDS, como se fosse inteiramente verdade o que disse, a credibilidade” que conquistaram por ter “reduzido o défice de 11% para 4%”, o que é “muito mais difícil do que reduzir de 3% para zero”. Por outro lado, o ex-líder do CDS-PP considerou que a crise “seria favorável” a António Costa porque “retirava a questão, a tensão, de onde ela estava, ou seja, a relação com a ‘geringonça', com os seus parceiros PCP e BE, e colocava a pressão em cima dos votos feitos pelo PSD e CDS”.

Depois de explicar o processo legislativo parlamentar sobre as alterações ao diploma do Governo em torno das carreiras dos professores, Paulo Portas reconheceu como positivo o recuo de PSD e CDS ao terem novamente colocado em cima da mesa as condições financeiras para aprovar a actualização salarial do tempo em que as carreiras estiveram congeladas. “O facto de o PSD e o CDS terem reduzido a tensão, e clarificado, rectificado ou recuado, foi bom porque o país não precisava desta crise”, disse.

Este domingo, PSD e CDS-PP anunciaram que votarão contra as alterações ao diploma do Governo no sentido de pagar o tempo total das carreiras congeladas caso o PS chumbe as condições financeiras que os dois partidos tinham na sua proposta inicial e que foram reprovadas pela esquerda em comissão. António Costa já veio reiterar o voto contra do PS a esse travão financeiro, o que levará ao chumbo do diploma e permitirá que o primeiro-ministro não se demita como tinha ameaçado. 

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