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National Geographic procura alternativas ao plástico — e tem mais de um milhão de dólares para dar

Concurso procura alternativas às embalagens de plástico, modelos de negócio de economia circular e comunicação da “crise do plástico”. Há prémios entre os dez e os cem mil dólares e um financiamento especial de um milhão de dólares.

A National Geographic e a Sky Ocean Ventures estão à procura de soluções inovadoras para resolver o problema do uso de plástico descartável no mundo. Lançaram o desafio mundial Ocean Plastic Innovation Challenge e têm prémios entre os dez e os cem mil dólares para as melhores alternativas de embalagens de plástico, propostas de novos modelos de negócio e comunicação do problema. Há ainda um financiamento especial de um milhão de dólares.

PÚBLICO -
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Valerie Craig Rebecca Hale/National Geographic

O objectivo do concurso é “erradicar o impacto destrutivo do desperdício de plástico nos oceanos”: por ano, são mais de nove milhões de toneladas de plástico que chegam ao oceano — número que deverá subir para 17 milhões, em 2025, se o panorama se mantiver. Uma “crise tão vasta”, que precisa de “um extenso portfólio de soluções” com “abordagens holísticas” que abranjam as “necessidades de diferentes partes do mundo”, explica ao P3 Valerie Craig, adjunta do director científico e vice-presidente de programas para a National Geographic.

As candidaturas estão abertas a equipas de todo o mundo, para as três áreas estratégicas: design de alternativas aos plásticos descartáveis; definição de novos modelos de economia circular, criativos e com desperdício zero; comunicação da amplitude do problema de forma criativa e intuitiva. Os projectos devem ser submetidos até dia 11 de Junho, através do site do concurso, para serem analisados por uma equipa de especialistas.

Mas a equação do plástico não é de fácil resolução. Apesar de já haver conhecimento suficiente para substituir o plástico, garante Valerie Craig, é preciso ter em conta uma série de factores. Em primeiro lugar, há que perceber que o plástico tem diversas aplicações e que “o tipo de plástico utilizado tem por base os requerimentos do produto” — ou seja, “peças de carros e aviões têm uma performance diferente de uma embalagem de iogurte”. E têm, normalmente, “um período de vida muito mais longo, o que torna essas peças menos problemáticas em termos de desperdício”. Por outras palavras, nem todo o plástico tem um efeito tão nefasto no ambiente.

O foco é “encontrar alternativas ao plástico descartável”, aquele que só usamos uma vez. Mas também aqui há o reverso da moeda: “Um dos motivos pelos quais o plástico acaba no ambiente é o seu peso reduzido, que o permite viajar pelo ar e pelo mar”, começa por explicar. No entanto, é precisamente esse peso reduzido “que o torna melhor do que outras alternativas, como o vidro ou outro material pesado”. “Imagina o peso do transporte de milhares de garrafas de vidro em camião ou avião, comparado com o peso do mesmo número de garrafas de plástico. Essa diferença de peso significa menos emissões de carbono [porque são feitas menos viagens], o que é bom quando falamos de alterações climáticas.”

O que pode ser feito? O primeiro passo é “parar de tratar o plástico como descartável”. E essa mudança pode ser feita “através de escolhas simples que fazemos no dia-a-dia”. Separar o lixo não chega, é preciso mudar comportamentos — trocar os frascos de champô por barras sólidas e as escovas de dentes de plástico por alternativas de bambu são algumas das sugestões de Claire Sancelot, proprietária da “primeira loja desperdício zero” no Sudeste Asiático. E enquanto individualmente mudamos os nossos comportamentos, os “governos e a indústria devem fazer o seu papel de implementação de controlo de desperdício e design de novos materiais”, complementa Valerie Craig.

Já existem “materiais que podem substituir as embalagens não recicláveis”, relembra. Materiais recicláveis, compostáveis ou alternativas em plástico (como os biodegradáveis) são as possibilidades já utilizadas — mas podem não ser tão eficientes como se pensa: uma investigação da Universidade de Plymouth, em Inglaterra, analisou o processo de decomposição de plástico compostável, convencional, biodegradável e oxiobiodegradável no ar, na terra e no mar, e verificou que, ao fim de três anos, os sacos biodegradáveis estavam perfeitamente funcionais. 

O desafio está lançado e cabe às equipas concorrentes encontrar, no meio de tantas particularidades associadas ao plástico, a melhor solução para resolver a crise. As equipas apuradas para a primeira fase terão até Novembro para aperfeiçoar os seus projectos. Em Dezembro, serão anunciados os vencedores, depois de um encontro dos concorrentes com os jurados. Os primeiros classificados das categorias Design e Economia Circular recebem um prémio de cem mil dólares; os segundos lugares, atribuídos a duas equipas de cada categoria, recebem 45 mil. Para os vencedores da categoria de Comunicação, o prémio é de dez mil dólares. As equipas podem também candidatar-se a um financiamento de um milhão de dólares.