“Nito” Cortizo vence presidenciais no Panamá e apela à “unidade” e ao fim da corrupção

Desde 1989, quando a democarcia foi restaurada, que uma eleição não produzia números tão próximos entre os candidatos.

Laurentino Cortizo
Foto
Laurentino "Nito" Cortizo JOSE CABEZAS/Reuters

O veterano político “Nito” Cortizo venceu as eleições presidenciais no Panamá. No discurso de vitória, apelou à unidade nacional ao ter conseguido apenas um terço dos votos num país que se mostrou profundamente dividido nestas eleições a uma só volta.

“Hoje o vencedor foi o Panamá, que mais do que nunca precisa de unir forças”, disse o antigo ministro da Agricultura aos apoiantes na noite de domingo. 

Durante a campanha, em que o escândalo provocado pelos Panama Papers (documentos provando um esquema global de evasão fiscal através deste país) não foi tema, prometeu limpar a política do Panamá e a imagem do país manchada com o escândalo de corrupção que envolve a empresa construtora brasileira Odebrecht.   

“Os cidadãos do Panamá não querem, não merecem e não vão aturar mais do mesmo”, disse Laurentino Cortizo, conhecido como “Nito”, de 66 anos. “O caos acabou. Os fundos públicos pertencem ao povo e são sagrados”.

O novo Presidente toma posse a 1 de Julho e vai ter que equilibrar as relações com os Estados Unidos e a China, depois de o chefe de Estado cessante, Juan Carlos Varela, ter se ter afastado de Washington ao estabelecer relações diplomáticas com a China (não tinha, era dos poucos países a reconhecer Taiwan) que é agora o segundo maior cliente do Canal do Panamá. "Nito” Cortizo, que estudou nos Estados Unidos - os seus filhos têm passaporte americano - diz que quer melhorar os laços entre o Panamá e os EUA.

O segundo classificado, Romulo Roux, que ficou em segundo lugar por poucos pontos percentuais, foi relutante a admitir a derrota e disse ter havido algumas irregularidades com os votos.

Já Varela, numa tentativa de criar estabilidade, deu os parabéns a Cortizo num discurso ao país transmitido pela televisão.

Uma eleição não tinha resultados tão apertados neste país da América Central desde 1989, quando a democracia foi restaurada depois da invasão dos Estados Unidos que depôs o ditador Manuel Noriega. Ambos os candidatos ficaram com 33% dos votos. 

Roux, de 54 anos, que foi ministro dos Negócios Estrangeiros do Presidente Ricardo Martinelli e era agora responsável na estrutura de gestão do Canal, publicou numa rede social imagens de boletins de voto que diz terem sido mal contados. Disse que quer ver tudo antes de aceitar os resultados.

As sondagens davam a Cortizo uma margem de vitória maior, pois os números não tiveram em consideração o quinto dos votos obtidos pelo candidato do partido anti-sistema Ricardo Lombardo.

Sugerir correcção