Anuladas eleições em Istambul ganhas pela oposição a Erdogan

Após uma derrota história, Comissão Eleitoral turca deu razão ao AKP e convocou nova votação para 23 de Junho.

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A perda em Istambul que tem um significado acrescido para Erdogan, cuja ascensão política teve início em 1994, como presidente da câmara da cidade LUSA/SEDAT SUNA

A Comissão Eleitoral da Turquia (YSK) decidiu anular os resultados das eleições municipais em Istambul ganhas pelo maior partido da oposição e que representaram um grande abalo no domínio de 25 anos do Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP) do Presidente Recep Tayyip Erdogan. As novas eleições foram agendadas para o dia 23 de Junho.

Desde o dia das eleições, 31 de Março, que vários dirigentes do AKP, e do aliado ultranacionalista Partido de Acção Nacionalista (MHP), reclamam ter existido “várias” irregularidades nas votações e exigem a anulação das municipais em Istambul, ganhas por Ekrem Imamoglu, do Partido Republicano do Povo (CHP). Istambul é governada pelo AKP há 25 anos, e o próprio Erdogan foi presidente da câmara na década de 1990.

A vitória do CHP foi por uma diferença mínima: cerca de 20 mil votos separam do seu adversário do AKP, o ex-primeiro-ministro Binali Yildirim, numa metrópole com mais de dez milhões de pessoas. Outras grandes cidades, como Ancara, deram nestas eleições a vitória ao CHP.

“É ilegal ganhar contra o AKP”, afirmou no Twitter Onursal Adiguzel, vice-secretário-geral do CHP, descrevendo a decisão da Comissão Eleitoral como um sinal de “pura ditadura”. “O sistema que anula a vontade do povo e desconsidera a lei não é democrático nem legítimo”. 

A Comissão Eleitoral da Turquia já tinha iniciado, no início de Abril, 32 investigações separadas em três distritos de Istambul. Mais de 100 presidentes da assembleia de voto e assessores foram também convocados, na condição de suspeitos, para interrogatório – eram acusados pelo AKP de minimizaram o número de votos dos seus candidatos ou de contarem incorrectamente votos válidos como inválidos.

As eleições de Março foram o primeiro teste eleitoral a Erdogan depois de, no ano passado, ter sido aprovado num referendo uma nova Constituição, em que os poderes presidenciais foram amplamente reforçados.