A prenda de 75 anos da Sotheby’s tem mais espaço para exposição do que muitos museus

As obras na sede da leiloeira, em Nova Iorque, criaram 8400 metros quadrados de galerias onde estão agora expostas obras valiosas de Louise Bourgeois, Mark Rothko ou Francis Bacon.

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Uma das galerias Brett Beyer/OMA
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Meules, de Claude Monet JUSTIN LANE/EPA
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O Rothko que está a leilão LUCAS JACKSON/REUTERS

Há um novo local para mostrar e ver arte em Nova Iorque, maior do que o dos museus Whitney ou Guggenheim. Mas não é um museu. A leiloeira Sotheby’s assinala os seus 75 anos com uma remodelação que transformou a sua sede num conjunto de galerias com um total de 8400 metros quadrados, onde estão agora expostas 1400 obras, entre as quais pinturas de Claude Monet, Pablo Picasso, Mark Rothko e Francis Bacon, ou esculturas de Louise Bourgeois.

O espaço foi repensado, como descreve a própria leiloeira em comunicado, pelo arquitecto Shohei Shigematsu, do atelier OMA. “Rivaliza com os grandes museus do mundo no alcance, na escala, na qualidade e na flexibilidade”, garante a mesma nota. A inauguração deu-se na sexta-feira com a exposição relativa ao importante leilão dedicado à arte impressionista e moderna.

Os 8400 metros quadrados desta nova galeria foram alcançados com a demolição de paredes e de tectos, detalha o diário espanhol El País, e estendem-se pelos quatro andares da sede da Sotheby’s. Podem subdividir-se em 40 galerias distintas, de dimensões diferentes conforme as obras e os usos que se lhes queiram dar (escultura, instalação, joalharia, design, aluguer para eventos, salas de leilão). Há salas com seis metros de pé direito, por exemplo, para acolher obras de grandes dimensões, e outras com 48 metros de comprimento “ideais para expor colecções inteiras”, exemplifica a instituição.

“A nossa ambição era reimaginar completamente a experiência do cliente no nosso edifício”, explica em comunicado Tad Smith, presidente da Sotheby’s há quatro anos. Fala de um “espaço dinâmico”, enquanto o arquitecto japonês detalha como quis “introduzir alta flexibilidade através da reorganização de programas e da diversificação dos espaços de galeria": A nova sede está desenhada para a abertura e a descoberta – todos os programas dirigidos ao público foram mudados para os pisos inferiores, destrancando o potencial público do edifício”, diz Shohei Shigematsu, que desenhou o Musée National des Beaux-Arts du Québec e colaborou com Marina Abramovic ou Kanye West. Foi agora o artífice deste projecto que a leiloeira tem em curso, e com o qual pretende criar mais galerias e espaços de exposição públicos e privados no âmbito da extensão das suas áreas de negócio. O número 1334 da York Avenue quer-se mais livre, como explicou o arquitecto ao El País. “Damos mais liberdade ao edifício para que deixe de ser um grande elefante.”

Actualmente estão expostas nas galerias nova-iorquinas obras como Arch of Hysteria, de Louise Bourgeois, ou Elegy to the Spanish Republic No. 134, de Robert Motherwell. São algumas das peças que integram o leilão do próximo dia 16, dedicado à arte contemporânea, impressionista e moderna e cujas estrelas são Untitled (1960), de Mark Rothko, que chega ao mercado pela mão do San Francisco Museum of Modern Art (SFMoMA), ou Study for a Head (1952), de Francis Bacon.