Israel volta a levar a cabo assassínios selectivos em Gaza

Dia marcado pela morte de comandante do Hamas no território palestiniano e pela morte de quatro israelitas por fogo vindo de Gaza. Desde a guerra de 2014 que não houve nem assassínios selectivos por Israel em Gaza nem morte de civis israelitas por fogo vindo do território.

Ataque israelita na Faixa de Gaza
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Ataque israelita na Faixa de Gaza MOHAMMED SALEM/Reuters

A escalada na Faixa de Gaza foi marcada este domingo pela morte de três civis em Israel, as primeiras mortes de israelitas vítimas de disparos de Gaza desde a guerra de 2014 no território, e por um ataque israelita que matou um importante comandante do Hamas, o que marca um regresso de Israel a assassínios selectivos de figuras do movimento que controla a Faixa de Gaza – o último ocorreu também durante a guerra de 2014.

O comandante morto era responsável por transferências de verbas via Irão, disse Israel; era próximo do primeiro-ministro de facto de Gaza, Yahya Sinwar. Mediadores egípcios estavam em contacto com os dois lados para tentar acalmar a mais recente violência, que deixou ainda 16 palestinianos mortos em Gaza desde sexta-feira, vítimas de ataques israelitas (o Exército israelita negou, no entanto, que tenha sido sua responsabilidade pela morte de uma grávida e da sua filha de meses).

De Gaza foram disparadas centenas de rockets, deixando o Sul de Israel praticamente paralisado no primeiro dia da semana (em Israel o domingo é o primeiro dia útil da semana). 

timing da escalada é visto também como um aproveitamento das facções palestinianas de Gaza da realização do festival da Eurovisão em Telavive - esperando-se milhares de visitantes - para pressionarem Israel para mais abertura a restrições impostas ao território, prometido em conversações intermediadas pelo Cairo. 

O jornalista Neri Zilber diz que as facções de Gaza querem ver cumpridas as promessas feitas pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, de mais alívio económico em troca de calma na altura das eleições em Israel - eleições das quais Netanyahu acabou por sair com maioria para um governo de coligação à direita, ainda a ser negociado. As promessas israelitas tardaram a ser aplicadas e a aproximação de um grande evento internacional tornaria Israel mais disponível para aceitar ceder em troca de calma no território.

Netanyahu prometeu resposta intensificada a ataques, e declarou que havia forças militares prontas para uma incursão em Gaza caso fosse necessário.

Nos últimos anos houve vários episódios de escalada de violência mas ambos os lados acabaram por chegar a acordo para tréguas.