Mais forte do que nunca ao cair do pano americano

João Magalhães conclui curso pela Point University com a mais alta nota no… golfe

João Magalhães com o treinador Steve Paine na conclusão do Direct Qualifier em Adairsville, Georgia
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João Magalhães com o treinador Steve Paine na conclusão do Direct Qualifier em Adairsville, Georgia

João Magalhães tem por esta altura motivos de celebração. Hoje, dá-se a sua formatura em Gestão pela Point University, em East Point, no estado da Georgia, num ano lectivo como ‘senior’ que, desportivamente, terminou com a sua eleição como AAC Player of the Year, ou seja, como Jogador do Ano da Appalachian Athletic Conference, liga da NAIA (National Association of Intercollegiate Athletics) que engloba 12 universidades na costa leste dos Estados Unidos. 

Do Oporto Golf Club, “Becas”, como é conhecido entre familiares e amigos, é o segundo português a receber tal distinção, dois anos depois de Francisco Oliveira, do Clube de Golfe de Vilamoura, seu companheiro de universidade e nos Skyhawks, que se formou em Dezembro do ano passado e é profissional de golfe desde o início de 2019. 

Para João Magalhães foram quatro vitórias individuais na época de 2018/2019, a última a 23 de Abril, no NAIA-Appalachian Athletic Conference Direct Qualifier, que teve como anfitriã a Truett-McConnell University, no Barnsley Gardens Resort, em Adairsville, Georgia. Esta prova apura a equipa vencedora para o NAIA National Men's Golf Championships, cuja 69.ª edição vai decorrer de 21 a 24 deste mês no Las Sendas Golf Club in Mesa, Arizona. Os Skyhawks ganharam-na também colectivamente, para o seu quarto triunfo só na Spring Season, e vão marcar presença neste torneio pelo terceiro ano consecutivo como campeões da Conferência e vencedores do Direct Qualifier.

A equipa dos Skyhawks tricampeã da Appalachian Athletic Conference

“No primeiro ano falhámos o cut [nos National Championships], o ano passado ficámos em 15.º e este ano, em que somos [a universidade] número 5 [no ranking NAIA] a ir para os ‘Nationals’, o nosso objectivo é ganhar, e temos todos confiança nisso. Estamos todos a jogar de certa forma bem e vamos lá para ser campeões, é o nosso principal objectivo”, afirmou João Magalhães ao GolfTattoo/Público. 

Vai ser um torneio especial para João Magalhães, não apenas pela sua importância, mas também porque a família estará na assistência. “Ao fim de quatro anos, os meus pais, felizmente, vêm cá visitar-me”, congratula-se. “Vão poder ver-me a jogar os 'Nationals', o que é óptimo. Depois, como houve tanto golfe no semestre inteiro, decidi tirar uma semana e vamos fazer umas férias, também com a minha irmã Inês, à volta do Arizona. Quando voltar a Portugal no início de Junho, torno-me profissional de golfe”, revela. 

João Magalhães venceu o Direct Qualifier, em três voltas, com um total de 215 (-1), terminando cinco pancadas à frente do segundo classificado, Matt Smith (Truett McConnell), entre 60 jogadores. No campo de Par 72 do Barnsley Gardens Resort, começou com um 68 que viria a ser a segunda melhor marca de todo o torneio, apenas superada pelo 66 inaugural do seu companheiro de equipa Tanner Lee (caloiro). Subiu ao primeiro lugar ao acrescentar-lhe um 71 (Lee fez 83). E na última volta, mesmo com 76, conquistou a prova individual, tendo sido o único com um total agregado abaixo do Par.

Já os Skyhawks, com cinco jogadores nos primeiros 14 classificados, incluindo outro português, João Pinto Basto (13.º), demonstraram ser de outra liga ao triunfarem colectivamente com 867 pancadas (+3), o que lhes deu uma vantagem de 32 shots sobre a Truett McConnell University (899, +35). 

Não admira que o treinador principal da Point University, Steve Paine, tenha por sua vez recebido, pela terceira vez, o galardão de AAC Coach of the Year Award, Treinador do Ano. Natural da Cidade do Cabo, na África do Sul, Paine está a completar a sua quinta temporada como treinador de golfe para homens na Point. Graduou-se em 2012, é um ex-golfista com honras de All-American da Columbus State University, onde também obteve seu mestrado em Administração de Empresas.

O que distinguiu esta última época das três anteriores em que esteve abaixo das expectativas? João Magalhães responde: “Isso é uma boa pergunta. No semestre passado, tive oportunidade de estar com alguns bons profissionais do PGA Tour. Falei por exemplo com Jon Rahm quando estive em East Lake [Atlanta, Georgia] para o Tour Championship. Acho que a diferença é não trabalhar durante tantas horas, mas trabalhar com um objectivo e trabalhar bem. Antigamente eu ia muito para o driving range e despachava 300 bolas, em vez de estar ali concentrado em cada shot e focado nos drills e no que eu tinha de fazer. Nos últimos anos o que combati mais foi o meu jogo comprido, que este ano melhorou bastante.” 

No seu ano de ‘senior’ na Point University, venceu, além do Direct Qualifier, os seguintes três torneios, entre outros top-5 e top-10:

1 de Outubro 2018 

Appalachian Athletics Conference Fall Invitational, torneio que teve como anfitrião o Bluefield College, em West Virginia, no campo de Fincastle on the Mountain (Par 70). Totalizou 143 pancadas (73-70), o que lhe deu uma vantagem de quatro shots sobre um quarteto de jogadores que partilharam o segundo lugar. 

19 de Fevereiro

Georgetown College Invitational, no campo Slammer & Squire (Par 72), em St. Agustine, Florida. Totalizou 141 (69-72) ganhando com duas de vantagem sobre o seu companheiro de equipa Eric Wowor e Benjamin Bailey (Kayser University). 

15 de Março

Spring Break Invitational hosted by Lawrence Technological University, no Grand National Lake Course (Par 72) em Opelika, Alabama. Com voltas de 66-68, para um total de 134 (-10), deixou a concorrência a nove pancadas de distância. 

Notal final: 

Acompanho a carreira do João desde os seus tempos de criança, desde que começou a ganhar títulos nos escalões jovens. Venceu sucessivamente duas vezes no escalão de sub-10 anos, duas vezes em sub-12, duas vezes em sub-14 e uma em sub-16, antes de ser travado em 2012 pelo seu companheiro do Oporto Pedro Almeida; em 2013 venceu na sua estreia em sub-18 – e logo com um total de 14 abaixo do par em 54 buracos, no seu home club do Oporto, com voltas finais de 66-65. Em 2014, não pôde defender o título no Nacional de sub-18 porque na altura representava a selecção portuguesa no Campeonato da Europa por Equipas. 

Foi o João que foi de caddie de Pedro Figueiredo quando este ganhou o Internacional Amador de Portugal de 2008, na Estela. Sempre vi nele, como em Figgy, um talento precoce de grande futuro. O seu regresso à boa forma é por isso uma boa notícia para o Golfe Nacional. Vamos torcer para que a sua carreira profissional seja tão profícua como outrora prometeu e agora novamente promete, sentindo-se confortável e confiante no seu meio natural que é o do golfe. Para já, ser profissional é um sonho antigo que vai ver concretizado. Mas antes, atenção aos “Nationals”.

 

 

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