Crónica de jogo

FC Porto fecha semana conturbada com goleada serena

Sem grande oposição do Desp. Aves, os “dragões” venceram com golos de Corona, Manafá e Soares (2), e garantiram os três pontos que mantêm em aberto a luta pelo título.

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LUSA/FERNANDO VELUDO

Sem forçar muito e de forma clara, o FC Porto cumpriu a sua obrigação e entrará nas duas últimas jornadas a dois pontos de distância do Benfica e ainda na luta pela conquista do título. No Estádio do Dragão, os portistas não sentiram grandes dificuldades frente ao Desportivo das Aves e, com golos de Jesus Corona, Manafá e Soares garantiram uma vitória (4-0) dedicada a Casillas: todos os jogadores do FC Porto alinharam com o nome “Iker” nas costas.

Pouco mais de meia hora depois de o Benfica vencer o Portimonense, o FC Porto entrou no Estádio do Dragão ainda sob as ondas de choque provocadas por dois abalos fortes sofridos na última semana - empate em Vila do Conde e internamento de Iker Casillas – e com uma certeza: a cinco pontos dos “encarnados”, ao FC Porto só restava ganhar para manter a esperança de revalidar o título.

Com Vaná na baliza, Sérgio Conceição desenhou a equipa com o modelo mais audaz (4x4x2), apostou em Manafá na direita (Militão jogou no centro e Pepe foi para o banco) e, ao contrário do que tinha acontecido frente ao Rio Ave, colocou Soares ao lado de Marega, com Brahimi e Corona nas alas.

Do outro lado, com a manutenção praticamente garantida, Inácio tinha mais problemas. Sem três dos seus principais trunfos (Falcão, Vítor Gomes e Mama Baldé), o técnico do Desp. Aves manteve a aposta num trio de centrais e em dois laterais com liberdade para atacar, colocando à frente da defesa Ablaye Faye, médio que tinha apenas 10 minutos de utilização no campeonato.

Porém, apesar de ter na zona central do seu sector defensivo quatro jogadores com mais de 1m85, os avenses mostraram-se permeáveis pelo ar. Após um início tímido, a denunciar que a semana conturbada deixou marcas, o FC Porto colocou-se na frente aos 18’, com o protagonista do costume no papel de assistente (Alex Telles) e uma novidade em finalizações de cabeça: com menos dezena e meia de centímetros do que os opositores, Corona cabeceou para o fundo da baliza de Beunardeau.

A vantagem portista resultou no acentuar de diferenças entre as equipas. Após uns fogachos ofensivos nos minutos iniciais, os avenses perderam confiança e o FC Porto aproveitou para serenar o seu jogo, subir o ritmo e aumentar a vantagem: Herrera colocou na área onde surgiu novamente Corona, mas a bola foi desviada do mexicano pelo braço de Fellipe. Por indicação do videoárbitro, Hugo Miguel visionou as imagens e assinalou penálti. Soares, que não marcava há um mês, aproveitou para fazer o seu 14.º golo no campeonato.

Após 45 minutos indolentes da sua equipa, Inácio abdicou do trio de centrais ao intervalo (Braga substituiu o desastrado Fellipe) e a mudança teve efeitos positivos no arranque da segunda parte, mas na melhor fase do Desp. Aves o FC Porto acabou com as dúvidas num ápice: Manafá estreou-se a marcar pelos “dragões” (tinha dois golos pelo Portimonense) aos 68’; Soares bisou dois minutos depois.

Com a goleada construída, o aplauso da noite chegou no minuto 80: sete meses e sete dias após sofrer uma lesão frente ao Tondela, Aboubakar entrou para o lugar de Marega e regressou à competição.