Antram não aceita salário mínimo de 1200 euros exigido por motoristas

Associação de empresas de transportes está a negociar condições salariais em três frentes. Reunião com o sindicato das motoristas de matérias perigosas decorre na próxima terça feira.

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Ricardo Lopes

A afirmação não foi feita, ainda, perante os representantes do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), mas a Associação Nacional de Transportes Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) já disse, esta sexta-feira, que não tem condições para aceitar a reivindicação de elevar o salário base dos motoristas aos 1200 euros.

As afirmações de Gustavo Paulo Duarte, presidente da Antram, foram feitas à saída da primeira reunião mantida com a federação de sindicatos do sector, a Fectrans, com vista as negociações para actualização do Contrato Colectivo de Trabalho dos motoristas. Mas deverá ser essa a informação que a associação dos transportadores levará para a próxima reunião agendada para o dia 7 de Maio com o sindicato dos motoristas que praticamente paralisou o país na semana antes da Páscoa.

“Não existem motoristas de primeira e de segunda e estes motoristas têm já um subsídio de risco, de cerca de 150 euros por mês”, justificou o presidente da Antram, dizendo que esse nível salarial não é pago “nem na Alemanha”. A próxima reunião entre a Antram e o SNMMP está marcada para esta terça-feira, no Ministério da Habitação e das Infraestruturas.

Actualmente, a Antram está a negociar em três frentes. Para além da Fectrans, com quem chegou a um acordo em Setembro do ano passado para estabelecer um Contrato Colectivo de Trabalho, está a negociar com o SNMMP na sequência da greve que quase paralisou o país antes da Páscoa. Depois disso também o Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), que realizou uma greve na semana a seguir à Páscoa, tem agendada uma reunião para 13 de Maio.

O presidente da Antram lamentou que a greve esteja a ser utilizada “como forma de pressão” quando, no seu entender, deveria ser “o último reduto” quando a negociação falha. Com a Fectrans​, arrancou esta sexta-feira o processo negocial de revisão do Contrato Colectivo de Trabalho (CCT) acordado em Setembro do ano passado, e ambas as partes acreditam que “há condições para evoluir” neste processo. 

As reivindicações salariais estão na base de todas estas negociações. Com a Fectrans​, há uma tabela salarial composta por quatro rubricas com valor mínimo garantido de 900 euros, e é a partir dessa tabela que as negociações vão avançar. As reuniões serão quinzenais e terão de estar concluídas dentro de cinco meses. “A partir de Outubro entrarão em vigor novos valores salariais nas diversas rubricas remuneratórias. É nesse tempo que temos para trabalhar. Cremos que há condições para evoluir”, disse José Manuel Oliveira, presidente da Fectrans​. A próxima reunião é dia 23 de Maio.