O Irão, uma câmara e um cineasta português

João de Botelho é português e faz filmes publicitários para marcas internacionais. O director de fotografia vive em Copenhaga, mas o seu trabalho mais recente teve como palco de fundo o Irão. Simorgh, que em português significa "fénix", é uma curta-metragem "introspectiva sobre a vida e a morte”. Partindo da lenda do animal mitológico que lhe dá nome, Simorgh inicia e termina com o mesmo plano – uma lareira acesa. “Sempre quis filmar fogo”, revela João ao P3, destacando a beleza deste elemento quando captado em filme.

O filme de dois minutos mostra os locais e os habitantes pelos quais o cineasta de 31 anos passou durante a viagem. Contudo, gravar no Irão não foi tarefa fácil. Segundo João, neste país que “parou no tempo” é impossível filmar por questões políticas. “Muitos familiares e amigos avisaram-me para não levar câmara”, admite. “Fui um sortudo”, diz, por ter conseguido entrar e sair do país sem perder o material.

Habituado a produções maiores e de carácter mais comercial, João contou com uma pequena equipa em Simorgh. “Estava praticamente sozinho”, admite. Mas a solidão ajudou-o a seguir de perto quem encontrava pelo caminho. Por exemplo, o rapaz com o longo casaco que aparece a conter o riso por volta do minuto e meio de filme — o plano preferido do director de fotografia.

O jovem esteve nos últimos dias em Marrocos a “filmar bebés a nascer” para mais uma campanha publicitária. O que também tem uma certa relação com Simorgh. “Antes gravei a vida e a morte, agora estou a gravar o início da vida.”

Gostas de fotografar e tens uma série que merece ser vista? Não consegues parar de desenhar, mas ninguém te liga nenhuma? Andas sempre com a câmara de filmar para produzir filmes que não saem da gaveta? Sim, tu também podes publicar no P3. Sabe aqui o que tens de fazer.

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