Encontro marcado: asteróide vai passar próximo da Terra daqui a dez anos

Corpo rochoso foi descoberto há 15 anos e daqui a uma década passará a 31 mil quilómetros da Terra. Os cientistas acreditam que será uma oportunidade rara para estudar a sua composição e para aprender a lidar com a possibilidade de asteróides colidirem com a Terra no futuro.

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Simulação da trajectória que o asteróide deverá seguir na sua passagem nas vizinhanças da Terra. Os pontos azuis correspondem aos satélites artificiais que orbitam o planeta Marina Brozovic/JPL/NASA

Sexta-feira, 13 de Abril de 2029. Ainda faltam dez anos, mas é esta a data prevista para que o asteróide 99942 Apophis passe — sem perigo — perto da Terra. Visto de cá, será apenas um pontinho de luz a rasgar o céu, que se tornará gradualmente mais rápido e mais brilhante, tanto quanto as estrelas da constelação Ursa Menor, refere a NASA.

O asteróide tem 340 metros de diâmetro e “é raro” que um objecto deste tamanho passe tão perto da Terra. Os outros que por cá passam não vão além dos dez metros de diâmetro.​ Este passará a uns 31 mil quilómetros do planeta, a mesma distância de alguns dos satélites artificiais que orbitam a Terra.  

A novidade foi recebida com entusiasmo pela comunidade científica, que procura agora formas de observar e analisar futuras aproximações celestiais, equacionando até o envio de sondas terrestres ao asteróide para o estudar. Um grupo de cientistas está reunido até sexta-feira na Conferência de Defesa Planetária, que decorre desde terça-feira no estado norte-americano de Maryland, e um dos temas na agenda é a passagem do asteróide, incluindo a forma como a gravidade terrestre o poderá afectar.

“A aproximação do 99942 ​Apophis à Terra será uma oportunidade incrível para a ciência”, afirmou num comunicado da NASA a cientista Marina Brozović, que trabalha na detecção radar de objectos que se aproximam do planeta: “Observaremos o asteróide com telescópios ópticos e com telescópios radar. Com as observações radar, talvez consigamos ver pormenores da superfície que tenham poucos metros de tamanho”.

A NASA esclarece que as observações mais importantes serão feitas durante a passagem do corpo rochoso, podendo estudar-se de perto o tamanho, a forma, a composição e talvez até o seu interior. 

Ainda é cedo para se apontar na agenda a hora exacta a que o asteróide riscará os céus, mas a NASA estima que o asteróide começará por estar visível a olho nu nos céus nocturnos do hemisfério Sul e, no momento em que estará mais próximo da Terra, o asteróide estará a “passar” sobre o Oceano Atlântico às 23h de Portugal. Será tão rápido que atravessará o Atlântico no espaço de uma hora. Depois disso, a sua trajectória vista da Terra seguirá para os lados do continente norte-americano, onde não será visível por a noite ainda não ter chegado. 

O asteróide 99942 Apophis foi descoberto pelos astrónomos do Observatório Nacional de Kitt Peak (EUA) em Junho de 2004. Apófis é o nome de um deus da mitologia egípcia, uma criatura diabólica em forma de serpente que tenta engolir o Sol e é também conhecido por profetizar o caos e a destruição.

Na altura da descoberta, a novidade gerou alguma preocupação entre os cientistas, porque as observações iniciais indiciavam que existia uma probabilidade de 2,7% de o asteróide atingir a Terra em 2029. Havia mesmo projecções que apontavam que a colisão do asteróide com a Terra causaria um efeito equivalente ao de 20 mil bombas atómicas e causaria um destruição absoluta num raio de 200 quilómetros.

Essa hipótese de colisão acabou por ser descartada, depois de terem sido feitas novas observações que permitiram estimar com maior precisão a rota do asteróide. Desde então, os cientistas continuam a acompanhar a sua trajectória em torno do Sol.

O 99942 ​Apophis é um dos 2000 objectos potencialmente perigosos para a Terra que estão identificados pelo CNEOS (Centro de Estudos de Objectos Próximos da Terra, da NASA). Para o director deste centro de investigação, Paul Chodas, a observação de 2029 permitirá “ganhar conhecimento científico fulcral” para saber como lidar futuramente com ameaças siderais.