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A Venezuela é um novo combate entre os EUA e a Rússia. Porquê?

Os interesses económicos russos na Venezuela são um dos factores a ter em conta, em conjunto com a aliança entre Cuba e o regime de Maduro.

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Vladimir Putin e Nicolás Maduro Reuters

Há uma batalha de influência em curso entre os Estados Unidos, que apoiam o autoproclamado presidente interino Juan Guaidó, e a Rússia, aliada do Governo de Nicolás Maduro, sobre o futuro da Venezuela. Mas o que é que move as duas potências?

A Rússia é proprietária de parte substancial dos campos de petróleo venezuelanos, que recebeu a troco de empréstimos e resgates financeiros na última década. E a Venezuela hipotecou quase metade da Citgo – a sua empresa sediada nos EUA – à Rosneft, a petrolífera estatal russa, por cerca de 1,5 mil milhões de dólares em dinheiro.

E, “com algo como vinte mil milhões de dólares em activos da Rosneft ligados ao país, os russos têm preocupações reais acerca do que podem vir a perder na eventualidade de uma mudança completa no poder, apesar das garantias da oposição e dos EUA de que isso não irá acontecer”, disse o director do Instituto Kennan, Matthew Rokansky.

As entregas pré-pagas de petróleo a clientes russos também foram usadas para comprar tanques russos e armamento para as forças de defesa venezuelanas.

Alguns entendem que os empréstimos, por não terem sido aprovados pela Assembleia Nacional, dominada pela oposição, “não são legais à luz da lei venezuelana”, explicou o director do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, Moises Rendon.

“Eles querem manter-se na Venezuela não apenas hoje, mas no dia seguinte também”, disse Rendon, que foi analista legal do Banco Occidental de Descuento, um importante banco comercial venezuelano, referindo-se aos interesses russos. “Eles querem ter a certeza que vão reaver o seu dinheiro e que os seus investimentos serão protegidos.”

Cuba

Parte da razão pela qual a Administração Trump e os seus apoiantes no Congresso têm opiniões tão fortes em relação à Venezuela deve-se ao apoio do regime comunista cubano.

Mas se a oposição a Maduro é uma extensão da oposição dos EUA a Cuba, não estará, de certa forma, a História a repetir-se? Quando a Administração Trump reverteu o processo de normalização diplomática com Havana levado a cabo pelo presidente Barack Obama, Cuba reforçou os seus laços com a Rússia, antiga aliada da Guerra Fria. Entre os confrontos políticos e económicos que definiram a Guerra Fria, talvez o mais célebre seja a crise dos mísseis de Cuba nos anos 1960, quando a União Soviética instalou mísseis nucleares em Cuba, uma demonstração de força perto das fronteiras dos EUA. O presidente John F. Kennedy e o líder soviético Nikita Khrustchov acabaram por resolver a crise.

Uma leitura a partir de paralelos históricos da crise venezuelana é, porém, demasiado linear e ignora que hoje não estamos nos anos 1960. Tal como disse Rendon, a Rússia não instalou mísseis na Venezuela, e o mundo não está dividido entre os Estados Unidos e a União Soviética. “Ter uma coligação abrangente é talvez mais eficaz”, disse Rendon, sugerindo que os Estados Unidos devem apelar ao Brasil, Colômbia, Argentina e Peru para exigir à Rússia que recue.

Exclusivo PÚBLICO/The Washington Post