Barça-Liverpool ou Messi vs. guarda-redes que não é Karius

Catalães procuram chegar a uma final na qual não marcam presença há quatro anos. Ingleses querem corrigir a “oferta” do ano passado.

Ronaldinho e Sissoko no último duelo entre as duas equipas.
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Ronaldinho e Sissoko no último duelo entre as duas equipas. Reuters/PHIL NOBLE

Os jogadores do Liverpool assumiram não saber bem como parar Lionel Messi. E os jornais espanhóis destacaram que Alisson, guarda-redes do Liverpool, não é o errático Loris Karius, que custou uma Champions aos ingleses. Estas duas premissas ajudam a perceber que o Barcelona-Liverpool de hoje (20h), da meia-final da Liga dos Campeões, é um duelo entre um clube que manteve o seu ponto forte frente a outro que melhorou o seu ponto fraco. E isso, em abstracto, permite prever um duelo equilibrado na luta pelo bilhete para o Wanda Metropolitano, em Madrid.

Em Camp Nou, o Barcelona recebe um Liverpool revolucionado pelo “Klopp twist”. Por outras palavras, é um Liverpool que, com Jürgen Klopp, passou de gigante tombado a gigante acordado. Na Liga inglesa, os “reds” mantiveram a baliza fechada em 20 dos 36 jogos disputados. Corrigido o maior problema, destaca-se o resto: um trio de ataque com Mané, Salah e Firmino que, em conjunto, já leva 65 golos em 2018-19. 

Em matéria de poderio ofensivo dos britânicos, este jogo traz outro dado curioso e que pode tornar-se decisivo. O Barcelona é a segunda equipa mais fraca no jogo aéreo, entre as 32 participantes na Champions (apenas o Shakhtar ganha menos duelos pelo ar), enquanto o Liverpool é a equipa com mais golos marcados de cabeça: cinco, a par do FC Porto.

Dados que, certamente, deixam em alerta um Barcelona “baixinho”, mas apoiado no já habitual futebol de posse, com bolas verticais, jogando muito tempo no meio-campo adversário. A propósito: haverá um conflito de interesses neste capítulo, já que os ingleses têm sido, na Champions, a segunda equipa que menos tempo passa no seu próprio meio-campo.

Do lado espanhol, Ernesto Valverde mostrou que conhece bem estes traços de “personalidade” do Liverpool. “Procuram pressionar alto, roubar a bola no meio-campo adversário e lançar os médios”, detalhou, na antevisão da partida, acrescentando que só ter perdido um jogo interno “diz muito acerca do valor do Liverpool”.

Com Messi - o melhor marcador (dez golos) e jogador mais rematador da prova -, o Barcelona procura chegar a uma final na qual não marca presença há quatro anos. Na altura, em 2015, bateu a Juventus por 3-1, em Berlim. Mais: o Barcelona soma três temporadas seguidas a cair nos quartos-de-final, pelo que uma nova queda antes da final será um golpe duro no projecto catalão.

Do lado contrário, Jürgen Klopp ainda não sabe se terá Firmino - caso o brasileiro não recupere, podem avançar Origi ou Sturridge -, mas sabe que terá, pelo menos, uma boa dose de animosidade. Na antevisão da partida, o treinador alemão deu uma “bicada” no adversário, recusando estar intimidado pela sua estreia em Camp Nou: “O Camp Nou é apenas um estádio. É grande, mas não é nenhum templo de futebol.”

Espanhóis “sedentos” de uma final europeia, ingleses a quererem corrigir a “oferta” do ano passado. No último encontro entre as duas equipas, em 2006-07, assistiu-se ao pior desempenho do Barcelona na Champions nos últimos 15 anos, com a queda nos oitavos-de-final.