Crítica

O museu da arte moderna

O roubo como performance artística multidisciplinar já ganha este filme curioso, inventivo, invulgar.

<i>Ruben Brandt, Coleccionador</i>: a fuga à força gravitacional da realidade que só a animação permite
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Ruben Brandt, Coleccionador: a fuga à força gravitacional da realidade que só a animação permite
Ruben Brandt, colecionador
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Monet, Renoir, Van Gogh, Botticelli, Velázquez, Goya, De Chirico, Warhol, Picasso... A lista de citações que o artista visual esloveno radicado na Hungria Milorad Krsti alinha nesta sua primeira longa-metragem é impressionante. Tal como impressionantes são os primeiros vinte minutos onde, com um mínimo de diálogo e um máximo de agilidade, se constrói uma perseguição louca pelas ruas de Paris que não ficaria a dever nada a Paul Greengrass. Essa perseguição abre a porta para uma história de polícias e ladrões, um heist movie onde os grandes quadros da história da arte andam a ser roubados de acordo com os pesadelos de um psicanalista. Só que tudo em animação — e o que Krsti faz é ideal daquilo que a animação permite, ou seja, criar algo que não é possível em imagem real. A dimensão onírica, surreal, constantemente distorcida do mundo de Ruben Brandt, Coleccionador não seria possível com actores, nem mesmo com animação fotorrealista.