Trump processa Deutsche Bank para travar divulgação da declaração de impostos

O Presidente norte-americano sempre se recusou a divulgar os seus registos fiscais. Democratas pedem que a informação seja tornada pública e intimaram os bancos a revelá-la.

Foto
A discussão acerca da declaração de impostos de Trump remonta à campanha presidencial LUSA/Oliver Contreras

Donald Trump quer processar o Deutsche Bank e o Capital One para evitar que estas instituições bancárias entreguem a declaração de impostos ao Congresso norte-americano. Em causa estão as intimações lançadas por congressistas democratas para obter esclarecimentos em relação às finanças do Presidente norte-americano.

Os dois bancos, o alemão Deutsche Bank e o norte-americano Capital One estão ligados aos negócios imobiliários de Trump, diz a BBC. Foram intimados pelo comité fiscal e pelo comité dos Serviços Secretos.

O democrata Adam Schiff, presidente do comité dos Serviços Secretos, diz que as intimações fazem parte de uma investigação “sobre alegações de potencial influência estrangeira no processo político dos EUA”.

Para Schiff e para a democrata Maxine Waters, a presidente do comité fiscal, o processo instaurado por Trump “é indigno”. Para os dois congressistas, o processo que Trump colocou contra os dois bancos “[mostra] as profundezas até às quais o Presidente Trump irá obstruir a autoridade de supervisão constitucional do Congresso”.

A discussão acerca da declaração de impostos de Trump remonta à campanha presidencial. Na altura, os analistas afirmavam que umas das razões que poderiam explicar a reticência do então candidato era a exposição da sua fortuna, que adivinhavam menor do que aquela que Trump gabava — o que questionaria um dos principais argumentos da campanha.

depois de eleito, Trump sempre se recusou a entregar os seus registos fiscais. Por diversas vezes, o Partido Democrata afirmou que o pedido não só é legal como necessário.

“As intimações foram feitas para perseguir o Presidente Donald Trump, para vasculhar todos os aspectos de suas finanças pessoais, os seus negócios e as informações privadas do Presidente e da sua família”, lê-se no processo, que deu entrada num tribunal federal de Nova Iorque esta segunda-feira.

Para Trump, que se queixa de uma “perseguição” por parte dos democratas, os congressistas querem “encontrar algo que possam expor publicamente e usar como uma ferramenta política contra o Presidente”. “Não existe qualquer outro propósito que não o político”, lê-se no processo.

Do seu lado, o Presidente norte-americano tem os seus três filhos mais velhos — Donald Jr, Eric and Ivanka —, bem como sete das suas empresas da Organização Trump. A família Trump argumenta que não existem “bases legais” para investigar fiscalmente os seus negócios.

No passado, em 2017, a mesma instituição recusou dar detalhes sobre as finanças do Presidente aos democratas da Câmara dos Representantes, invocando leis da privacidade. Desta vez, as instituições financeiras assumem o compromisso de disponibilizar as informações.

Apesar da pressão em sentido contrário, o Deutsche Bank reafirmou a sua intenção de revelar as informações requeridas pelo comité fiscal do Congresso norte-americano. “Continuamos comprometidos a disponibilizar informações a todas as investigações em vigor que estejam autorizadas e cumpriremos uma ordem judicial relativa a tais investigações”, asseverou a porta-voz do Deutsche Bank ao jornal New York Times.

Em 2017, pouco tempo após ter sido eleito, Donald Trump viu as declarações referentes a 2005 serem tornadas públicas à sua revelia. Através dos documentos revelados pela cadeia de televisão MSNBC, percebeu-se que 82% dos valores pagos naquele ano pelo líder norte-americano e pela sua mulher, Melania Trump, correspondem a um imposto que Trump disse que queria ver extinto, a Taxa Mínima Alternativa (em inglês Alternative Minimum Tax, AMT). Trump não conseguiu extinguir o imposto mínimo cobrado à população mais rica, mas conseguiu reduzir o número de contribuintes abrangidos por ela.