Chipre em estado de choque com assassínio em série de mulheres e crianças estrangeiras

Pelo menos cinco mulheres e duas crianças foram mortas por um militar nos últimos três anos. As autoridades de Nicósia estão a ser acusadas de não terem investigado o seu desaparecimento por não serem cipriotas.

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Reuters/STEFANOS KOURATZIS
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A polícia do Chipre encontrou no domingo o corpo da quarta vítima de um assassino em série que confessou a morte de pelo menos sete mulheres e crianças ao longo dos últimos três anos. A série de crimes não tem precedentes nesta ilha do Mediterrâneo e está a transformar-se num escândalo político, com partidos e associações de imigrantes a criticarem a lentidão das autoridades na investigação ao desaparecimento das vítimas — todas estrangeiras.

O suspeito, um militar cipriota de 35 anos, admitiu que matou cinco mulheres que tinha conhecido através de plataformas de encontros online. Em dois dos casos, matou também as suas filhas.

Os corpos de três vítimas foram colocados em malas e atiradas para o Mitsero, um lago de águas tóxicas de uma mina abandonada perto da capital, Nicósia. Uma quarta mulher foi encontrada morta num poço na mesma zona.

Segundo a CNN, o suspeito está a colaborar com as autoridades na localização dos cadáveres. 

Entre as vítimas já identificadas estão uma mulher filipina de 38 anos e a filha de seis, e uma mulher nepalesa, todas dadas como desaparecidas desde Setembro de 2016. Por encontrar estão uma mulher romena de 36 anos e da filha de oito, e outra filipina de 31 anos.

A BBC diz que o caso motivou fortes críticas dos comunistas do AKEL, na oposição. “Demonstrou-se uma indiferença sem precedentes simplesmente porque estas pessoas não eram de origem cipriota mas sim de outros países”, declarou o líder comunista Andros Kyprianou. Aquele partido, o principal da oposição, exige a demissão do chefe da polícia nacional e do ministro da Justiça. 

Doros Polycarpou, director da Kisa, uma organização de apoio a imigrantes e refugiados, disse à Reuters que o Chipre é um país “de dois sistemas” em que “alguns não-cipriotas não gozam dos mesmos direitos dos nativos”.

Em Nicósia, realizou-se uma manifestação a condenar a gestão do caso, relata o Washington Post.

O Chipre, no Mediterrâneo Oriental, próximo da Síria e da Turquia, escapou ao grosso da crise migratória dos últimos anos, mas tem registado um forte acréscimo de chegadas de refugiados desde 2016. A entrada de estrangeiros tem sido recebida com hostilidade por grupos ultranacionalistas de extrema-direita.