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Antiga sede da STCP na Boavista é reabilitada para alojamento local de luxo

Transformação dos dois edifícios da Avenida da Boavista em alojamento local custou três milhões de euros.

Rádio Nova
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NELSON GARRIDO
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Os dois edifícios da antiga sede da STCP, classificados pela Câmara do Porto como de “interesse municipal, e um terceiro prédio vizinho foram reabilitados para alojamento local de luxo e abriram esta segunda-feira após um investimento total de três milhões de euros.

Estes edifícios, construídos no século passado na Avenida da Boavista, a uma centena de metros da Casa da Música, foram reabilitados pela marca Porto Deluxe. 

“Pretendemos fazer aqui uma reabilitação mantendo a traça do edifício (...). Fizemos um esforço enorme por manter a traça original”, observou a mentora da marca Porto Deluxe, Judite Carqueja, à agência Lusa, admitindo que este é um projecto pessoal que quis criar após 20 anos a trabalhar no sector do imobiliário e fundos de investimento.

Segundo descreveu Judite Carqueja, nos pisos clássicos foram mantidos os “tectos trabalhados”, o “pé direito de três metros” ou os “lambris de 90 centímetros”, enquanto nos pisos térreos (as antigas caves) os apartamentos completos têm um “ambiente “zen” com lareira e jacuzzi.

Nos pisos das águas furtadas, o ambiente é “rústico moderno”, onde se destacam as traves de madeira no tecto e as clarabóias.

O empreendimento que abriu hoje oficialmente esteve na semana passada num regime de soft opening, sendo a maioria dos clientes estrangeiros, oriundos de França, Alemanha e Espanha, mas também da Coreia do Sul, Estados Unidos da América, Austrália, África do Sul, enumerou a empresária.

O investimento total rondou os três milhões de euros, incluindo a aquisição dos edifícios que foi cerca de meio milhão de euros. “Um investimento pesado”, admitiu Judite Carqueja, explicando que depois da compra foi “tudo demolido, excepto as paredes exteriores”.

A Porto Deluxe criou no arranque 14 postos de trabalho (quatro direitos) e a capacidade máxima actual é de 70 pessoas, entre apartamentos T3 ou apenas “suites”.

Há três anos, em Maio de 2016, a Lusa noticiava que dois prédios da STCP geminados na Avenida da Boavista tinham sido colocados à venda num anúncio publicado na imprensa diária, tendo como uma base de licitação 572 mil euros.

A alienação daquele património da STCP inseria-se num plano mais alargado para rentabilização dos activos da empresa e para abater ao passivo, disse na altura uma fonte da empresa.

Bloco e CDU querem medidas camarárias

Ao mesmo tempo que abrem novos estabelecimentos de alojamento local na cidade, os deputados municipais do Bloco de Esquerda defendem a criação de zonas de contenção para este tipo de negócios, à semelhança do que já foi feito em Lisboa, suspendendo assim os novos registos. 

De acordo com o grupo municipal do Bloco de Esquerda, “em muitas zonas da cidade, o número de habitações convertidas em AL superam já o das habitações com arrendamento de longa duração”.

Assim, os deputados bloquistas vão apresentar uma recomendação na sessão da assembleia municipal desta segunda-feira à noite, desafiando a autarquia a suspender a emissão de novas licenças de AL na cidade durante um ano, propondo a criação de “zonas de contenção”. 

De acordo com os eleitos do BE, dos mais de nove mil estabelecimentos de AL que existem no Porto, mais de dois terços — 70% — estão concentrados no centro histórico, capturando assim “habitações e edificado que poderiam e deveriam estar disponibilizados para o direito à habitação de longa duração”. 

O BE recomenda ainda a criação de um “gabinete de emergência social que apoie os inquilinos da cidade do Porto e preste aconselhamento jurídico a quem enfrenta situações diárias de assédio e ameaça, garantindo os meios humanos necessários à coordenação do apoio dado às juntas de freguesia em matéria de esclarecimento e encaminhamento das soluções”. E ainda a criação de um “Observatório Municipal” que estude os efeitos do crescimento do turismo e as necessidades habitacionais. 

Também a CDU leva o tema à reunião desta segunda-feira, recomendando à Câmara do Porto que “a apreciação dos pedidos de licenciamento de edifícios tenha em conta, também, a existência, ou não, de processos de bullyng imobiliário nesses mesmos edifícios”. Além disso, os comunistas pedem ao executivo de Rui Moreira que apresente a prometida “proposta de regulamentação” dos AL “no prazo de 30 dias.

Na reunião de câmara do dia 9 de Abril, o vereador Ricardo Valente anunciou que a Universidade Católica já tinha finalizado o estudo que serviria de base às decisões da câmara neste assunto. Até agora, no entanto, os resultados dessa pesquisa não foram divulgados.

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