Pagamentos com cartões lideram em número, mas transferências ganham em valor

Os débitos directos foram são o segundo meio de pagamento mais utilizado em Portugal em 2018. As compras com recurso à tecnologia contactless aumentaram 157%.

Operações com cartões continuam a ser o meio de pagamento mais utilizado.
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Operações com cartões continuam a ser o meio de pagamento mais utilizado Andreia Patriarca

Os instrumentos de pagamento electrónico continuaram a ganhar adeptos em Portugal, sendo responsáveis por cerca de 90% dos 2,7 mil milhões de operações de pagamento realizadas em 2018. Em valor, as operações realizadas com cartões e transferências bancárias representaram 81,6% dos 491,5 mil milhões de euros movimentados, com os cheques a responder pelo restante.

Os dados constam de um relatório do Banco de Portugal (BdP), divulgado esta segunda-feira, que mostram que os pagamentos de retalho em Portugal (excluindo o numerário) aumentaram 7,6% em número e 7,3% em valor, comparativamente a 2017.

No universo dos meios de pagamento electrónico, as transferências bancárias foram as que mais cresceram, totalizando 156,1 milhões de operações, no valor de 249,3 mil milhões de euros. As transferências, operações a que os bancos têm vindo a aplicar cada vez maiores comissões, cresceram 9% em número e 12,1% em valor, comparativamente a 2017. “É ainda o instrumento que assume maior relevância em valor (50,7% do total)”, revela o Relatório dos Sistemas de Pagamentos, relativo a 2018.

As transferências imediatas, disponibilizadas a partir de Setembro de 2018, tiveram um peso pouco expressivo no número e valor de operações processadas, ficando-se em 0,03% e 0,1%, respectivamente.

De acordo com o relatório, elaborados a partir dos dados do Sistema de Compensação Interbancária (SICOI), gerido pelo BdP, os cartões continuam a ser o instrumento de pagamento mais utilizado em Portugal, excluindo o numerário. “Em 2018, foram utilizados em 86,6% dos pagamentos de retalho, tendo sido realizadas 2368 milhões de operações com cartão, no montante global de 125,3 mil milhões de euros (25,5% do total). As operações com cartões foram as segundas que mais cresceram relativamente ao ano anterior: 8,4% em número e 8,9% em valor, com a realização, em média, de 6,5 milhões de operações com cartão por dia. O valor médio por operação, de 53 euros, foi o mais baixo do SICOI.

Segundo o relatório, “Portugal está entre os países da União Europeia com maior número de cartões per capita. No final do ano, existiam em Portugal 23,6 milhões de cartões de pagamento activos (registados nas diversas redes que operam em Portugal)”, cerca de dois por cada português. Relativamente a 2017, “o número de cartões de débito aumentou 4,1%, para 21,8 milhões, e o número de cartões de crédito cresceu 2,3%, para 8,5 milhões (os cartões que tenham, simultaneamente, função de débito e de crédito são considerados em ambas as categorias)”.

No final de 2018, existiam 349 mil terminais de pagamento automático, mais 8,7% do que em 2017, e 14,1 mil caixas automáticas em Portugal, incluindo as diversas entidades que operam em Portugal, menos 2,3% do que em 2017.

Das operações efectuadas com cartão, 51% corresponderam a compras, 20% a operações de baixo valor e 19% a levantamentos. As transferências com cartão, embora menos relevantes, foram as operações que mais cresceram: 27,7% em número e 13,5% em valor, totalizando 43,9 milhões de operações, no montante de 15 mil milhões de euros. Este aumento reflecte o crescimento dos pagamentos imediatos assentes em cartão, refere o relatório.

Os débitos directos, que representam o segundo instrumento de pagamento mais utilizado pelos portugueses, cresceram 0,5% em número e 6% em valor. Ao longo do ano, foram realizados em Portugal 180,2 milhões de débitos directos, num total de 26 mil milhões de euros.

Os números de terminais de pagamento automático a aceitar pagamentos por aproximação (contactless) disparou 74%, e o número de cartões a permitir essa forma de pagamento aumentou 38%. “As compras com recurso à tecnologia contactless aumentaram 157% em número e 170% em valor (42,7 milhões de operações, no valor de 599,2 milhões de euros). Ainda assim, representaram apenas 3,6% do número e 1,5% das compras presenciais realizadas em 2018”, refere o relatório.

As compras realizadas online representaram 3,8% do número e 5,7% do valor total de compras realizadas com cartões nacionais, em ligeira desaceleração face às taxas de crescimento de 2017, que foram de 3,9% em número e 5,9% em valor.

Os pagamentos através de cheque representaram 18,2% do valor total (89,7 mil milhões de euros), continuando a diminuir face a 2017, embora ainda foram usados para fazer, em média, 120 mil pagamentos por dia. Em valor, a queda foi de 6,3%. Também foram devolvidos menos cheques do que no ano anterior (menos 7,9%), e a listagem de utilizadores que oferecem risco integrava 15.427 entidades no final de 2018, menos 10,6% do que em 2017.

Apesar da forte adesão aos meios de pagamento electrónico, os portugueses continuam a privilegiar os pagamentos presenciais. De acordo com um estudo recente do BdP, os pagamentos presenciais (incluindo em dinheiro) representaram 95% da quantidade de operações realizadas em 2018 e 81% do respectivo valor. Já os pagamentos em canais digitais (ou seja, através da internet ou do telemóvel) corresponderam a 4% da quantidade e a 14% do valor.

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