Das “salas de chuto” à distribuição de naloxona: o que falta para Portugal continuar a ser “um exemplo”

Centenas de especialistas reúnem-se durante quatro dias, no Porto, na 26.ª Conferência Internacional de Redução de Riscos. Ao famoso “modelo português” faltam salas de consumo assistido, kits de naloxona e serviços de drug checking.

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Sem salas de consumo assistido, utilizadores de droga continuam confinados a espaços abandonados Paulo Pimenta (arquivo)

“O mundo está a olhar para Portugal para perceber o que vai acontecer a seguir.” Com esta frase, Naomi Burke-Shyne, directora executiva da Harm Reduction International, a organização não-governamental que reúne, a partir deste domingo e até à próxima quarta-feira, no Porto, centenas de especialistas na 26.ª Conferência Internacional de Redução de Riscos associados ao consumo de drogas, consegue, por um lado, mostrar que Portugal continua a ser um exemplo à escala internacional, desde que, em 2001, descriminalizou o consumo e posse para uso pessoal. Mas a mesma frase serve, por outro lado, para lembrar que o famoso “modelo português” corre o risco de ficar estagnado, se não forem dados os passos seguintes: da distribuição de naloxona (quer às equipas de rua, quer directamente aos consumidores) às salas de consumo assistido, as quais, apesar de previstas na lei há quase duas décadas, só agora começam, e de forma titubeante, a sair do papel.