No concurso dos Vinhos Verdes vencem os Alvarinho. Até quando?

Os resultados parecem mostrar à saciedade que há um caminho feito pelos produtores e enólogos de Alvarinho que merece ser seguido no resto da região.

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Adriano Miranda

Numa região que se orgulha da trajectória recente de crescimento, que está a atrair os grandes produtores nacionais, que já exporta quase metade dos vinhos que certifica e que quer mudar a agulha para os vinhos de qualidade, os Vinhos Verdes têm no seu concurso anual um interessante acrescento, que é a escolha dos “Best of” - ou seja, os melhores dos melhores -, que é feita por um júri de especialistas estrangeiros.

Não que os que vêm de fora escolham melhor ou sejam mais criteriosos, mas antes porque representam os gostos e tendências para lá da tradição, ou seja, têm o potencial de mostrar o caminho a quem quer vender e valorizar os seus vinhos fora das fronteiras nacionais. Além disso, os cinco vinhos eleitos acompanham durante o ano todas as acções de promoção externa da região. Não se pode dizer, portanto, que seja uma má ideia.

E que disseram este ano os avaliadores estrangeiros? Que os Alvarinho são os melhores, que estão à frente e respondem às exigências do mercado global. De facto, o júri composto por especialistas vindos dos EUA, Japão, Rússia, Dinamarca, Brasil e Canadá, elegeu apenas vinhos da sub-região Monção e Melgaço numa prova em que estavam os 35 vinhos melhor pontuados em todo o concurso da região dos Vinhos Verdes.

Mas nem só. Também com o júri nacional, em todas as categorias em que podiam concorrer os vinhos com a casta Alvarinho saíram vencedores, curiosamente incluindo espumantes e aguardentes.

Nada de admirar para quem esteja atento ao que se tem passado na região, já que foram os produtores e enólogos de Alvarinho que mais cedo avançaram pelo caminho da diferença e da qualidade, quase sempre ao arrepio e contra a corrente. Experimentando caminhos novos, técnicas e conceitos para lá da tradição “docinho e gasoso” quem em muitos casos é ainda a marca da região.

É esse o caminho que a Comissão Regional de Viticultura quer fazer alargar agora a toda a região, prometendo vinhos mais sérios, ousados e estruturados. Vinhos que superem a ideia de consumo imediato, a sazonalidade de verão e para todos os momentos e ocasiões. Os exemplos começam a alargar-se pela região, os incentivos também e o concurso deste ano incluiu já uma categoria para vinhos da colheita e 2016 ou anteriores. Ganhou um Alvarinho! Tal como na categoria Regional Minho.

O que os resultados parecem mostra à saciedade é que há um caminho feito pelos produtores e enólogos de Alvarinho que merece ser seguido no resto da região. Um desafio que vais mostrar até quando os Alvarinho vão continuar a sair os vencedores.