Crítica

Suicidas e mitologia japonesa

Um filme simples que fala de amor e morte — razão para não o deixar escapar.

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Se “o suicídio é a única questão filosófica realmente séria”, como escrevia um célebre autor francês, o mínimo que se pode dizer de The Sea of Trees é que começa logo pelo âmago das coisas: vemos a personagem de Matthew McConaughey, da qual ainda nada sabemos, a apanhar um avião para o Japão, a deslocar-se a uma floresta no sopé do Monte Fuji (o “mar de árvores”, um dos mais famigerados spots para suicidas do mundo inteiro), a passar pelos avisos que compelem os visitantes da floresta a reflectirem bem sobre o que se preparam para fazer, a escolher um sítio confortável, e a desatar a emborcar comprimidos. Sabemos, então sem margem de dúvida, o que ele quer fazer, não sabemos é porquê. Depois passa por ali outro homem, um japonês (Ken Watanabe), cambaleante e ensanguentado, McConaughey hesita, e ao cabo de alguns segundos larga os seus comprimidos e vai acudir ao homem. Entre o seu sofrimento e o sofrimento de outro, decide concentrar-se no segundo. E nesse movimento para fora de si, em direcção ao outro, é como se a morte desaparecesse. De certa forma, The Sea of Trees começa pelo fim, porque esta, dada em dez/quinze minutos de filme, é a moral da sua história.