Macron promete baixa de impostos e pede desculpa por “parecer injusto”

O Presidente francês diz que vai abandonar a ideia de suprimir 120 mil postos de trabalho na função pública e quer fazer uma profunda reforma.

Juan Guaidó
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Macron promete "um segundo acto" da sua governação IAN LANGSDON/EPA

O Presidente francês, Emmanuel Macron, apresentou esta quinta-feira as suas respostas aos protestos dos “coletes amarelos”, inspiradas pelas queixas e sugestões apresentadas pelos franceses durante os meses em que durou o “grande debate”, uma iniciativa de audição das queixas e sugestões dos cidadãos. “Uma baixa significativa do imposto sobre o rendimento para as classes médias” foi uma das principais promessas do Presidente francês, que disse lamentar “ter dado o sentimento de ser duro, por vezes injusto”.

No que classificou como “um segundo acto” da sua governação, Macron saudou “as justas reivindicações” dos “coletes amarelos”, que disse não deverem ser “ocultadas pelos actos violentos praticados por alguns”, numa conferência de imprensa no Palácio do Eliseu em que estavam presentes na primeira linha da plateia os seus ministros.

O Presidente francês disse estar disposto a deixar cair o objectivo de suprimir 120 mil postos de trabalho na função pública e também prometeu voltar a incentivar as empresas a darem bónus excepcionais no fim de ano, “livres de impostos”, como aconteceu no ano passado, para tentar acalmar a crise inicial dos “coletes amarelos”. O objectivo, disse, “é corrigir injustiças” e assegurar “que o trabalho seja compensador”, diz a agência AFP.

Macron prometeu ainda que o primeiro-ministro, Édouard Philippe, apresentará em Maio “uma profunda reforma da Administração Pública”, que tem por objectivo garantir “que haja mais funcionários no terreno”, suprimindo antes funcionários na Administração Central. Disse ainda que pretende pôr fim “às grandes corporações na função pública”. “Precisamos de fileiras de excelência, e não de protecção para toda a vida”, declarou.

O Presidente confirmou ainda a intenção de acabar, “entre outras”, com a Escola Nacional de Administração, onde se formaram muitas gerações de altos funcionários e governantes franceses. “Para ver se conseguimos construir alguma coisa que funcione melhor.”

Macron apresentou uma reorganização do Estado, nomeadamente a redução de deputados, e a limitação de mandatos para os eleitos políticos e uma nova vaga de descentralização – a revisão constitucional necessária deverá avançar até ao Verão, prometeu.

Mas não aceitou a ideia do referendo de iniciativa cidadã (RIC), que se tornou uma bandeira do movimento dos “coletes amarelos”, nem a valorização do voto branco nas eleições. No entanto, é reduzido o número mínimo de assinaturas que terão de ser apresentadas à Assembleia Nacional para pedir um referendo popular: passa a ser de um milhão de assinaturas, quando até agora era de 4,7 milhões.

Para os pensionistas, afectados por várias medidas tomadas pelo Governo de Macron, o Presidente teve também várias atenções. Uma delas foi que as reformas “de menos de 2000 euros” vão voltar a ser actualizadas pelo valor correspondente à inflação a partir de 2020.

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