O dia ideal para uma criança com menos de cinco anos? Dormir, brincar e pouco tempo de televisão

Recomendações da OMS sobre actividade física, sedentarismo e sono indicam que as crianças nesta faixa etária devem passar, no máximo, uma hora em frente a ecrãs. Bebés com menos de um ano, o ecrã está fora de questão.

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ADRIANO MIRANDA

Por dia, uma criança entre os três e os quatro anos deve dormir 10 a 13 horas, passar, pelo menos, 180 minutos envolvida em algum tipo de actividade física — ou seja, a brincar — e não ficar mais do que uma hora sentada em frente a um ecrã ("quanto menos melhor"). Este grupo é um dos três em que a Organização Mundial de Saúde (OMS) se foca nas suas recomendações sobre actividade física, sedentarismo e sono para crianças com menos de cinco anos, divulgadas nesta quarta-feira. 

No caso dos bebés que têm menos de um ano, a OMS também considera importante que se mantenham activos ao longo do dia. Isso pode ser conseguido através de brincadeiras nos tapetes interactivos ou pelo menos 30 minutos na posição de bruços. Passar algum tempo em frente a um ecrã está fora de questão. O número de horas de sono ideal oscila entre as 14 e as 17 horas (para bebés até três meses) e as 12 e as 16 horas (para bebés entre quatro e 11 meses).

Para as crianças que têm entre um e dois anos, a OMS recomenda actividade física semelhante à dos mais velhos e acrescenta que não devem ficar sentadas e presas em cadeiras ou carrinhos por mais do que uma hora seguida. O tempo passado a ver televisão ou a jogar no computador também não deve ir além de uma hora e está fora de questão para bebés de um ano. Idealmente, devem dormir entre 11 e 14 horas com horários regulares para deitar e acordar.

“Estas recomendações destinam-se a todas as crianças saudáveis com menos de cinco anos de idade, independentemente do sexo, formação cultural ou condição socioeconómica das famílias”, diz a OMS. “Os cuidadores de crianças com deficiência ou com alguma condição médica podem procurar orientação adicional junto de um profissional de saúde”, acrescenta este organismo.

Apesar de reforçar a importância destas recomendações, a OMS lembra que estas “não cobrem todas as horas da vida de uma criança”. Além disso, reforça que, para uma criança pequena, a actividade física expressa-se através de brincadeiras activas. Ao mesmo tempo, a brincadeira que não é enérgica e que, por isso, não se qualifica como actividade física, “é muito importante”.

Com este documento, OMS afirma que está a “preencher uma lacuna”. Uma vez que as crianças com menos de cinco anos “não foram incluídas nas recomendações globais sobre actividade física para a saúde [apresentadas] em 2010”. Por outro lado, “vão contribuir para a implementação das recomendações da Comissão Europeia sobre o fim da obesidade infantil e para o Plano de Acção Global para Actividade Física 2018-2030”. As recomendações vão ser actualizadas dentro de uma década. 

“A primeira infância (com menos de 5 anos de idade) é um período de rápido desenvolvimento físico e cognitivo. É um período durante o qual os hábitos de uma criança são formados e as rotinas estão abertas a mudanças e adaptações”, nota a OMS. Os comportamentos que venham a ser desenvolvidos nesta fase “podem influenciar os níveis de actividade física e padrões ao longo da vida”. 

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