Agricultores pedem mudanças na gestão da água de Alqueva

Agricultores querem garantia de água para os precários que instalaram culturas intensivas, aumento das afluências vindas de Espanha e mais capacidade de bombagem em Alqueva.

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Miguel Manso

Gerir a água que Alqueva vai armazenar num futuro próximo é o mais intrincado desafio que a Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva (EDIA) já está a enfrentar desde que anunciou restrições no acesso à água para os agricultores precários (que instalam culturas na periferia dos blocos de rega) a partir de Janeiro de 2019.

A Associação de Proprietários e Beneficiários do Empreendimento de Fins Múltiplos do Alqueva (APBA), entidade que representa agricultores de 22 blocos de rega do Alqueva, divulgou nesta quarta-feira, através de comunicado, a sua preocupação por “eventuais restrições de água” que estão a marcar o futuro dos agricultores precários.

E propõe “algumas medidas” no que à política da água diz respeito, que passam pela integração dentro dos blocos de rega do Alqueva dos “cerca de vinte mil hectares precários legalmente autorizados pela EDIA”. A associação de proprietários esclarece que os projectos de investimento destes agricultores foram aprovados no âmbito do PDR2020, “sendo na sua maioria culturas permanentes” (olival e amendoal).

Os cerca de 20 mil hectares “vão precisar de água nos próximos 20 anos e muitos destes regantes foram incentivados e autorizados a fazer os necessários investimentos, já realizados na sua grande maioria”, realça a APBA. No actual contexto, em que está projectado estender o regadio a mais 50 mil hectares, “se agora a água sobra para mais uma expansão da rega”, então o território que neste momento está a ser cultivado pelos agricultores precários “tem toda a legitimidade para ser uma área de pleno direito”, assinala a associação de proprietários. Para superar a insegurança que neste momento está a condicionar o futuro dos agricultores nestas condições, a APBA defende que “só será legalmente possível se deixar de ser precária e passar a fazer parte da mancha de rega”. Até porque, acrescenta, “não houve nem haverá necessidade de qualquer investimento público” para a concretização desta expansão de rega, que “na sua maioria já está a produzir”.

Mas como a água se está a revelar um bem cada vez mais escasso, a APBA diz que a concretização de mais 50 mil hectares de regadio “não deverá pôr em causa o sucesso dos projectos e dos investimentos realizados e em curso por todos os regantes desta 1.ª fase”, que corresponde a 120 mil hectares.

Feitas as contas, propõe o “aumento do valor da quota anual” média dos 600 hectómetros de água de Alqueva, vinda de território espanhol, e o “aumento dos reservatórios para o armazenamento” para garantir as necessidades de água nos cerca de 200 mil hectares de regadio que Alqueva irá suportar a partir de 2022. Face ao aumento da área regada associado “ao avanço das alterações climáticas”, a APBA diz que a instalação da 5ª e da 6ª bomba para a Estação Elevatória dos Álamos “também deverá ser feito com a maior brevidade, sob pena de não estarem instaladas, prontas a funcionar quando forem necessárias”. Neste momento a estação elevatória tem apenas duas bombas a funcionar e outras duas irão ser instaladas até 2021.