Derrocada em Arouca corta estrada durante dois dias

A EN326 foi cortada ao trânsito e a Infra-estruturas de Portugal vai destruir o resto da rocha que está em “perigo iminente de queda”. As autoridades acreditam que não há vítimas, mas ainda é impossível garantir que não haja carros ou pessoas por entre as pedras que caíram, dizem bombeiros.

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Os serviços municipais de Protecção Civil estão a acompanhar o caso Rui gaudêncio

Uma derrocada na noite desta segunda-feira em Arouca fez com que a estrada EN326 ficasse cortada ao trânsito nos dois sentidos. A quantidade de material derrocado na via, numa extensão de cerca de 50 metros, não permite ainda saber se existem vítimas entre os destroços, mas as autoridades acreditam que não. O incidente deu-se por volta das 23h30 numa área sem habitação situada entre Ponte da Ribeira e Mansores, perto do acesso à variante para acesso rápido a Arouca (distrito de Aveiro)

O presidente da junta de freguesia de Mansores, Jorge Oliveira, esteve no local no início da manhã e diz ao PÚBLICO que são cerca de 50 metros de estrada afectados pela derrocada. “Não há certezas sobre se está alguém por baixo, mas acreditamos que não. Aqui das proximidades não há ninguém desaparecido, mas esta é uma estrada de muita passagem”, refere Jorge Oliveira. 

“A estrada poderá estar intransitável nos próximos dois dias”, admite ainda o autarca, dizendo que houve uma “grande queda de rocha” e que esse troço está coberto “com uma grande quantidade de pedras”. Agora, em conjunto com a Infra-estruturas de Portugal, será destruído o resto da rocha que está “em perigo iminente de queda” e far-se-á a limpeza da via. Jorge Oliveira esclarece que tinha havido uma “recente intervenção” na estrada, e que é provável que a queda da rocha e estes trabalhos de peritagem a danifiquem.

O autarca adianta que há alternativas para se entrar e sair de Mansores, mas “são mais condicionadas” – há zonas em que não podem passar veículos pesados, por exemplo. “Isto condiciona muito, há aqui uma grande zona industrial, passam muitos camiões, e também transportes públicos”, conta. “As máquinas já estavam agora a chegar ao local e vamos tentar abrir uma das vias, mas ainda não é certo”.

Também os bombeiros acreditam que não deverá haver vítimas entre os escombros: “Naquela zona não vive ninguém, que é uma área deserta, mas não podemos dizer com certeza se há vítimas ou não porque, com o monte de terra que ali está, ainda não conseguimos saber se ficou alguém ou algum carro soterrado lá por baixo”, declarou à Lusa o comandante dos Bombeiros Voluntários de Arouca, José Gonçalves.

O responsável está, contudo, optimista, devido às características próprias da derrocada: “Como foi um deslizamento, o que costuma acontecer é que, se as terras apanhassem alguém, empurravam as vítimas para baixo, levando-as a escorregar, e elas iam aparecer lá ao fundo, na ponta. Mas aí já verificámos e não encontrámos ninguém.”

Zona era considerada “estável”

José Gonçalves ainda não tem explicação para o sucedido, considerando que na segunda-feira “o dia esteve seco” e, mesmo ao final da tarde, não choveu em quantidade suficiente para justificar a derrocada.

O comandante notou, aliás, que “aquela zona sempre foi considerada estável e nunca representou qualquer perigo”, mas reconheceu que a encosta é constituída sobretudo por “lousa, que é uma pedra mais mole” e que poderá ter registado alterações não perceptíveis à superfície.

A presidente da Câmara Municipal de Arouca, Margarida Belém, afirmou que a empresa pública Infra-estruturas de Portugal “está a fazer a avaliação da situação, uma vez que se trata de uma estrada nacional”. Os serviços municipais de Protecção Civil também estão a acompanhar o caso. 

O objectivo é que “a situação seja resolvida com a celeridade possível, salvaguardando todas as condições necessárias de segurança”. O Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Aveiro diz ao PÚBLICO que não dispõe de informações sobre o incidente. 

O comandante José Gonçalves antecipou que a remoção dos detritos seja “um trabalho para demorar, até porque não se pode arrumar a terra para as zonas ao lado e vai ser preciso camiões para a transportar” até aterros noutras localizações. O presidente da junta de freguesia de Mansores, Jorge Oliveira, diz que existe um aterro em Mansores que poderá ser utilizado para depositar os detritos.