Antigo aluno do liceu Camões vai mandar na reabilitação da escola

Foram precisos quase dez anos de espera para conseguir garantir a intervenção na Escola Básica do Parque das Nações e no antigo Liceu Camões. Obras começam no Verão e deverão estar concluídas em 2021. Ministério diz que não será preciso deslocar os alunos.

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Nuno Ferreira Santos

A reabilitação da Escola Secundária Camões, em Lisboa, vai ser feita numa lógica de “continuidade e não de ruptura” em relação aos edifícios projectados por Ventura Terra, no início do século XX. A garantia está dada pelo arquitecto responsável pelo projecto de reabilitação do antigo liceu Camões, Falcão de Campos, que foi agora “reempossado” neste cargo, segundo revelou o Ministério da Educação nesta terça-feira.

Falcão de Campos, que foi aluno do antigo liceu Camões, concluiu em 2011 um projecto de reabilitação desta escola por encomenda da empresa pública Parque Escolar, que tinha esta escola na sua lista de intervenções. A empreitada acabou por ser suspensa no mesmo ano pelo então ministro da Educação Nuno Crato, que justificou a decisão com a necessidade de contenção da despesa imposta pela troika.

Com as obras de novo na agenda, o ME decidiu adoptar o projecto de Falcão de Campos devido ao “conhecimento adquirido e aos inerentes direitos de autor”. O projecto terá, contudo, de ser revisto, dado que o valor da empreitada desceu dos 18 milhões de euros agendados pela Parque Escolar para 15 milhões, o último valor que foi posto a concurso e que conseguiu finalmente ter um interessado depois de dois procedimentos que ficaram sem candidatos.

As obras, que deverão começar no Verão, estarão a cargo do grupo de engenharia espanhol Ferrovial Agroman, que tem um histórico de intervenções em barragens hidráulicas e empreitadas de reabilitação, como a que será feita na secundária Camões.

O antigo Liceu Camões está classificado como monumento de interesse público por ser considerado “uma referência da arquitectura escolar da época, contribuindo para desenhar uma cidade mais moderna”.

No projecto entregue à Parque Escolar, Falcão de Campos garante que o edificado “existente contagia a nova proposta e não o contrário, assumindo-se uma linguagem de continuidade e não de ruptura”. Para esse efeito, adianta, serão mantidos “os acabamentos originais preconizados pelo arquitecto Ventura Terra, expressos no Caderno de Encargos original” que se encontra na posse do antigo liceu.

Alguns exemplos: os azulejos existentes nos dois pátios da escola serão “recolocados na sua forma original”, depois de limpos, e os que, entretanto, desapareceram “serão substituídos por réplicas” semelhantes aos originais. Também os pavimentos interiores em soalho de madeira “serão mantidos, recuperados e substituídos, quando necessário, por peças de madeira idêntica”.

No projecto inicial, que foi previamente debatido com a comunidade escolar, a única intervenção prevista para crescer em altura é a que diz respeito à recuperação do edifício da antiga Escola António Arroio, que se situa ao lado do actual auditório da secundária Camões, para onde está projectado “um espaço envidraçado” onde ficará uma área de lazer destinada aos alunos.

O contrato para se avançar com a empreitada foi assinado nesta terça-feira à tarde. Segundo o ME, as obras deverão estar concluídas em 2021. Enquanto as obras decorrerem não será necessário deslocar os alunos para outras escolas, garantiu também o ministério.

Será provavelmente um transtorno menor em relação ao que já estão habituados. Desde há vários anos que esta escola tem procurado sobreviver aos efeitos da passagem do tempo que ali se traduzem, entre várias outras mazelas, em inundações e buracos em tectos, que levaram à derrocada de uma cobertura de uma sala de aula.

Tudo junto, têm alertado pais, alunos e professores, colocou “em risco a segurança das cerca de duas mil pessoas que diariamente frequentam o estabelecimento”.

Também nesta terça-feira à tarde foi assinado o contrato para as obras de ampliação da Escola Básica do Parque das Nações, em Lisboa, uma empreitada que custará oito milhões de euros e que foi entregue a uma empresa de construção de Braga, M Kairos. Com estas obras que são esperadas há quase uma década, a escola do Parque das Nações poderá vir acolher 900 alunos da pré-escolar ao 3.º ciclo de escolaridade em vez de se ficar apenas pelo jardim-de-infância e 1.º ciclo, como aconteceu desde a sua inauguração no ano lectivo de 2010/2011.