Opinião

Cartas ao director

Que tudo corra bem…

Soma e segue. Ou falta de competência, ou de empenho, ou de discernimento, ou de escrutínio, ou… mas cada vez mais se confirma termos à nossa frente uma máquina do Estado cuja eficácia e excelência parece confinada à mui nobre atividade de cobrar impostos, além de gerir o dia-a-dia. Reformas, coisas pensadas a sério… mesmo um organismo privado que ousou fazer contas e apresentar umas questões sobre a sustentabilidade do sistema de pensões, foi chutado para canto pelo ministro da tutela. Tudo está bem até a inevitabilidade ou as redes sociais obrigarem a fazer qualquer coisa.

A reacção do governo à greve dos motoristas de matérias perigosas, foi mais um exemplo de ir comprar as trancas depois de a casa estar arrombada. Está bem que não morreu ninguém, nenhuma ambulância ficou parada na estrada com um ferido grave, mas já houve tragédias a sério e a sensação e o amargo na boca têm o mesmo sabor: em cima do joelho e atrás do prejuízo.

Fica, e só como exemplo, o anedótico da forma como foram decretados os serviços mínimos para o abastecimento de combustíveis: 40% para a grande Lisboa e o grande Porto. Em primeiro lugar, como depois se corrigiu, 40% não é suficientemente específico. Seria necessário definir, de preferência estar pré-definido, os pontos específicos e as regras de acesso, restrições e prioridades. Depois a limitação às duas grandes metrópoles diz muito sobre o conceito de “país” que vai naquelas mentes.

Que tudo corra bem, já que cada vez que algo corre mal ficamos entre a tragédia e o caricato.

Carlos J F Sampaio, Esposende

Sistema de Segurança Social

O estudo alarmante sobre a sustentabilidade da Segurança Social não nos deveria fazer admirar, se pensarmos que ao longo dos anos houve um aproveitamento de muitos cidadãos para obterem de forma indevida algo a que supostamente já teriam direito.

Muitos cidadãos esquecem-se que adquirem os seus direitos a partir do momento em que cumprem os seus deveres, mas o oportunismo de muitos, as lacunas legislativas, as leis interpretadas em benefício próprio, como se o mundo acabasse amanhã, o egoísmo de uma sociedade com valores éticos e morais deturpados, bem como os valores elevados de algumas pensões, poderão ser factores que contribuem para inviabilizar a sustentabilidade da segurança social.

É legítimo que os cidadãos se questionem sobre o porquê de estarem a descontar para um sistema que garante pagamento de prestações sociais a cidadãos desfavorecidos e a muitas outras situações duvidosas, mas o mesmo sistema não é garantia de que quem trabalhou uma vida inteira venha a auferir de uma pensão cujo valor lhe permita viver com dignidade.

Perante o recente estudo divulgado sobre a Segurança Social, não devemos entrar em alarmismos, mas se tivermos em conta as considerações do mesmo sobre o aumento da idade da reforma, as mesmas fazem pouco sentido, uma vez que os cidadãos descontam para garantir o seu bem-estar na velhice, mas ficamos com a ideia de que descontam uns, para benefício de outros.    

Américo Lourenço, Sines