Sri Lanka: grupo terrorista tem historial de ataques à religião budista

Os ataques deste domingo provocaram pelo menos 290 mortos e mais de 500 feridos.

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Homenagem à porta de uma igreja em Peshawar, Paquistão Reuters/Fayaz Aziz
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Em Lahore, Paquistão, vários membros de uma minoria cristã paquistanesa e clérigos muçulmanos acendem velas pelas vítimas EPA/RAHAT DAR
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Em Lahore, Paquistão, vários membros de uma minoria cristã paquistanesa e clérigos muçulmanos acendem velas pelas vítimas Reuters/MOHSIN RAZA
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Em Lahore, activistas paquistaneses assinalam a morte das vítimas das explosões que ocorreram no Domingo de Páscoa EPA/RAHAT DAR
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Homenagem em Lahore. Os atentados do Sri Lanka entraram na lista de atentados mais mortíferos desde o 11 de Setembro EPA/RAHAT DAR
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Bangalore, Índia: membros de diferentes organizações não-governamentais erguem cartazes durante vigília pelas vítimas dos atentados EPA/JAGADEESH NV
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Bangalore, Índia. O governo do Sri Lanka anunciou que pelo menos cinco trabalhadores de um partido político indiano estão entre os 290 mortos dos ataques de domingo EPA/JAGADEESH NV
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Bangalore, Índia. O Governo do Sri Lanka acredita que os responsáveis pelos atentados deste domingo pertencem ao grupo islamista National Thowheed Jamath, que tem um historial de ataques à religião budista EPA/JAGADEESH NV
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Bangalore, Índia. A Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) anunciou ter enviado uma equipa de resposta a incidentes para o Sri Lanka EPA/JAGADEESH NV
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Flores e velas em frente ao prédio de escritórios do grupo de vestuário Bestseller, em Aahus, Dinamarca. O proprietário Anders Holch Povelsen perdeu três dos seus quatro filhos nos ataques terroristas. EPA/Bo Amstrup
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Aahus, Dinamarca. Anders Holch Povlsen, milionário dinamarquês, é o principal acionista da marca de compras online ASOS EPA/Michael Drost-Hansen
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Bandeira dinamarquesa a meia haste, no sul de Aahus, Dinamarca EPA/Ernst van Norde
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Em Pontevedra, no noroeste de Espanha, a bandeira está a meia haste em memória dos dois espanhóis que morreram nos atentados no Sri Lanka EPA/Lavandeira jr
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Várias pessoas colocam flores à entrada da embaixada do Sri Lanka em Moscovo, na Rússia EPA/YURI KOCHETKOV
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Moscovo EPA/YURI KOCHETKOV
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Um rapaz paquistanês protesta em Carachi, no Paquistão, com cartaz escrito em língua urdu: “Condenamos fortemente as explosões no Sri Lanka” EPA/SHAHZAIB AKBER
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Carachi, Paquistão. Há 39 turistas de todo o mundo entre os mortos das explosões de Domingo de Páscoa EPA/SHAHZAIB AKBER
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Professores seguram velas enquanto rezam pelas vítimas, numa escola em Ahmedabad, Índia Reuters/AMIT DAVE

O Governo do Sri Lanka acredita que os responsáveis pelos atentados deste domingo pertencem ao grupo islamista National Thowheed Jamath (NTJ). Rajitha Senaratne, porta-voz do Governo, citada pela Associated Press, ressalva que, tendo em conta a complexidade dos ataques, o grupo não terá agido sozinho e terá contado com a ajuda de uma “rede internacional”. 

O grupo islamista tem um historial de violência contra a religião budista. Em Janeiro deste ano, quatro dos seus membros foram detidos justamente por vandalizarem estátuas budistas. Antes disso, em Novembro de 2016, o secretário do grupo extremista, Abdul Razik, foi detido por incitar ao confronto religioso através de discursos contra outras religiões.

Apesar de o ataque ter ocorrido em plena época pascal, os números recolhidos até agora mostram que a larga maioria das vítimas tinha nacionalidade cingalesa, sendo predominantemente budistas — e não cristãos. De acordo com os dados citados pelo El País, cerca de 10% da população do Sri Lanka (21 milhões de habitantes) é muçulmana e apenas 7% é cristã. A restante população é maioritariamente budista. 

O balanço mais recente das autoridades do Sri Lanka apontam para a morte de 39 turistas, entre os quais está um português de 31 anos.

O porta-voz do Governo do Sri Lanka acredita que, embora “os ataques tenham sido perpetrados por um grupo limitado de pessoas dentro do país, houve uma rede internacional por trás, sem a qual estes ataques não teriam sido bem sucedidos”.

Anne Speckhard, directora do Centro Internacional para o Estudo da Violência Extrema, explica que o objectivo do grupo é provocar ódio, medo e divisão na sociedade. “Não é um movimento separatista. Preocupa-se com religião e punição”, conta ao jornal norte-americano New York Times.

Os responsáveis pelo ataque integram o ramo cingalês de um grupo implantado em Tamil Nadu, na Índia, que propaga o islamismo dentro e fora da comunidade muçulmana.

Alto Labetubun, especialista em terrorismo, explicou que estes ataques sincronizados e bombistas suicidas não são comuns no Sri Lanka. “São comparáveis ​aos ataques no Médio Oriente e no Sudeste da Ásia. Têm o ADN dos ataques jihadistas”, assegurou.

O Presidente do Sri Lanka, Maithripala Sirisena, irá pedir a colaboração internacional para encontrar a pista das ligações exteriores do grupo nacional com outros grupos terroristas.

Autoridades tinham sido avisadas 

As autoridades do Sri Lanka receberam vários avisos sobre um possível ataque cerca de duas semanas antes dos atentados deste domingo, confirmou esta segunda-feira o porta-voz do Governo. “A 4 de Abril, 14 dias antes de estes incidentes ocorrerem, fomos avisados”, admitiu Rajitha Senaratne, também ministro.

“A 9 de Abril, o chefe dos serviços secretos escreveu uma carta e nessa carta estavam muitos dos nomes desta organização terrorista”, contou, sublinhando que o primeiro-ministro, Ranil Wickremesinghe, não chegou a ser informado sobre as ameaças.

Ainda no domingo, o ministro das Telecomunicações, Harin Fernando, publicou no Twitter o que parece ser uma fotografia do relatório de três páginas dos serviços secretos do Sri Lanka, no qual se alertava para a probabilidade de existir um atentado. O documento já referia o grupo islamista e nomeava alguns dos seus membros. Na publicação feita pelo governante, Fernando acusa os serviços secretos de não agirem em conformidade. “Devem ser tomadas sérias medidas para saber porque é que este aviso foi ignorado”, vincou. 

Este foi o ataque mais devastador sofrido pelo país na última década. É preciso recuar a 2009 para encontrar números tão significativos quanto os deste domingo. Nesse ano, terminou o confronto que se prolongou durante quase 30 anos e que colocou a maioria budista e a minoria hindu em luta durante a guerra givil, provocando mais de 100 mil mortos no total.