Opinião

Dois anos de Portugal IN

O desfecho do “Brexit” é incerto, mas fica a certeza de que Portugal se posicionou para atrair mais e melhor investimento do Reino Unido.

Portugal e o Reino Unido sempre tiveram estreitas e profundas relações! Portugal é tributário de Windsor e posicionou-se com muito respeito perante a decisão soberana do povo britânico de saída da União Europeia. Mas da adversidade e da descrença na Europa, o Governo português mostrou ao mundo o potencial do país e que vale a pena acreditar no projeto europeu!

Foi nesse espírito que surgiu, em 2017, a Portugal IN, criada para posicionar Portugal como um bom destino de investimento para empresas e cidadãos britânicos que, respeitando a decisão “Brexit”, queiram manter-se no espaço europeu.

Muito trabalho de casa feito ao longo destes dois anos, que permitiu posicionar Portugal no radar dos investidores britânicos. O Reino Unido é, neste momento, o principal emissor de investimento direto estrangeiro em Portugal!

Segundo dados do Financial Times, nestes últimos dois anos foram 22 as empresas britânicas, das mais diversas atividades, a estabelecerem-se em terras lusas. Ao todo 26 projetos, num investimento de 460 milhões, que permitiram a criação de 1400 postos de trabalho.

Para uma resposta mais ágil e eficaz das estruturas da administração às questões do investimento, a Portugal IN promoveu vários projetos, como a construção com o SEF do portal ARI, que admite submeter pedidos e documentação, efetuar pagamento por DUC e gerar agendamentos, em todas as delegações do SEF, por plataforma eletrónica, ou o Welcoming Guide for Asset Management Companies, com os reguladores financeiros, que permitiu apresentar Portugal no Reino Unido como destino para sociedades gestoras de ativos.

Mas estão ainda em curso um conjunto de iniciativas importantes para continuar a seduzir os cidadãos e empresas britânicas que queiram vir para Portugal.

Numa parceria com o IRN, a instalação, no espaço Empresa na Hora, de um fast track para registo de empresas estrangeiras que queiram instalar-se no nosso país. A Empresa na Hora é um conceito que funciona na perfeição para a constituição de empresas portuguesas, mas apresenta dificuldades para empresas estrangeiras.

O reconhecimento dos títulos de residência para os trabalhadores de empresas inglesas que se queiram instalar em Portugal é uma medida já integrada em lei, em conjunto com o MAI, que aguarda apenas a regulamentação final. Estão ainda previstos dois grandes eventos para 2019, a realizar no Reino Unido, com o objetivo de promover Portugal como destino de empresas britânicas.

Estas medidas complementam um conjunto de outras que integram o Plano de Preparação e Contingência para a Saída do Reino Unido da União Europeia, que o Governo colocou no terreno em janeiro do ano passado, tais como a linha de apoio aos residentes no Reino Unido ou a linha de crédito de 50 milhões, criada para que as empresas exportadoras nacionais expostas ao mercado britânico se possam adaptar à nova realidade.

O fim do processo “Brexit” é incerto, mas fica a certeza de que Portugal se posicionou nestes dois anos como um destino de excelência para atrair mais e melhor investimento do Reino Unido.

É o que os números demonstram!

O autor escreve segundo o novo Acordo Ortográfico