Presidente satisfeito com “bom senso” que permitiu o fim da greve

Em Belém salienta-se a abertura negocial de patrões e sindicatos, a determinação do primeiro-ministro e a capacidade política do ministro das infra-estruturas.

Marcelo está satisfeito com o desfecho da crise nos combustíveis
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Marcelo está satisfeito com o desfecho da crise nos combustíveis Miguel Manso

O Presidente da República está satisfeito com a forma como o Governo lidou com a crise dos combustíveis nesta fase final e que permitiu pôr fim à greve que ameaçava paralisar o país. Afinal, aconteceu exactamente como dissera na véspera, quando defendeu que era preciso alargar os serviços mínimos, territorial e sectorialmente, e ao mesmo tempo conseguir que patrões e sindicato aceitassem negociar sobre a questão de fundo para pôr fim à greve.

Em Belém, enaltece-se o “bom senso” revelado pelas partes no acordo assinado na madrugada desta quinta-feira entre a ANTRAM e o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), em que à abertura negocial por parte dos empresários correspondeu a flexibilidade sindical em matéria de reivindicações, deixando cair, por exemplo, a exigência de duplicação do ordenado.

Também o desempenho do Governo é elogiado na Presidência, tanto a determinação do primeiro-ministro em resolver a crise, como em particular a “capacidade política e administrativa” do ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, que se tornou o protagonista desta negociação, graças à experiência negocial que adquiriu durante três anos de gestão dos dossiers com o Bloco de Esquerda e o PCP. Partidos cuja “solidariedade incansável” para com o Governo também neste dossier é igualmente salientada nos gabinetes de Belém.

Na terça-feira, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu, em afirmações ao PÚBLICO, que o Governo devia “fazer tudo para fomentar um acordo real, porque isto é um conflito privado mas com interesse público inegável”. Isto depois de o primeiro-ministro ter dito no parlamento que a capacidade do executivo para resolver o problema era limitada, por se tratar de “um conflito entre privados”. “Tem de se garantir que existe um verdadeiro acordo e não um acordo aparente”, contrapôs o Presidente da República, horas antes da reunião com as partes no Ministério do Trabalho que acabaria de madrugada com fumo branco e promessas de paz social.