Mario Anzuoni/Reuters
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Mario Anzuoni/Reuters

Esta página envergonha quem desrespeita os parques — tudo pelo Instagram

Um “vigilante” online decidiu envergonhar publicamente quem, por uma fotografia “imperdível” para o Instagram, ameaça os parques e florestas dos EUA. E já começou a semear mudanças.

A pequena cidade de Lake Elsinore vê a sua população mais do que duplicar na altura em que as suas terras começam a florir — e as primeiras imagens de uma mancha cor de laranja imensa começam a brotar no Instagram. Nas últimas semanas, as dezenas de milhares de visitantes, uma afluência maior do que em anos anteriores, provocaram aquilo a que os residentes e entidades locais começaram a chamar “apocalipse de tulipas"

Além das filas de carros a entupir as estradas e do lixo, há visitantes que desrespeitam os trilhos que permitem um passeio sem destruição: tudo para conseguirem uma fotografia entre as flores. Não era o destaque que esperavam, mas alguns influenciadores digitais, marcas e instagrammers viram depois estas mesmas imagens serem partilhadas numa página com um nome mordaz: Our public lands hate you”. Ou, em português, as nossas terras públicas odeiam-vos.

É o “muro da vergonha” de um movimento criado por um “vigilante” online — um homem de 31 anos, que permanece anónimo — que decidiu envergonhar publicamente quem, por uma fotografia “imperdível”, ameaça os parques e florestas norte-americanos. ​As redes sociais começaram a transformar “pegadas digitais” em “pegadas físicas” que começam a ter “um impacto negativo no mundo real”, escreve “quem estava farto de ver pessoas a destruírem os seus locais favoritos”. 

O objectivo principal do movimento, diz, é educar e gerar uma cadeia de pessoas que estão atentas aos erros. E já começa a ter resultados. O YouTube, por exemplo, retirou uma imagem que tinha partilhado na sua conta de Instagram (com 18 milhões de seguidores), onde se viam duas mulheres deitadas no meio das papoilas, na Califórnia. O mesmo fizeram outros utilizadores — como uma mulher que publicou uma foto onde aparecia a segurar um ramos de flores que arrancou, raízes incluídas — ​ e marcas que prometeram deixar de trabalhar com pessoas que desobedecessem às regras de protecção de vida selvagem. 

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I. Am. Speechless. @youtube has decided it is a good idea to repost this to 18 million followers. This is what we have been trying to get people to understand. Clearly some advertising yahoo in silicon valley who has never left the concrete jungle thought this was cute, with no thought to the potential impact that a picture like this might have. . . LAYING IN THE POPPY FIELDS ON PUBLIC LANDS IS ILLEGAL. I doubt we have enough pull to get through to @YouTube. Tag your local news station or news paper. Let's see what we can do! . . . And if this account disappears... Well, wou'll know what happened. . . . @specialagent_nps @lamag @news_alert_la @cityoflakeelsinore @thesfnews @usatoday @washingtonpost @sandiegonewscenter @boston @bostonglobe @seattletimes @pomomagazine

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“Tens estes influenciadores que têm acesso a 100 mil pessoas. Eles estão a publicar coisas e acho que nem eles percebem o impacto que aquela imagem poderá ter. E há um efeito exponencial”, conta o responsável pelo movimento de responsabilização social ao The Guardian. Quando uma determinada localização passa a ser mais vezes identificada, por geolocalização ou hashtags, começa a registar um maior número de visitantes e, consequentemente, de publicações, acredita. “Se toda a gente pensasse só um bocadinho mais sobre as suas acções e os impactos que elas podem ter no ambiente e noutras pessoas, acho que muitos dos nossos maiores problemas seriam muito mais facilmente resolvidos.”