Benfica quer fazer de Frankfurt uma escala para “reabastecimento”

Eintracht Frankfurt e Benfica jogam nesta quinta-feira, às 20h, com uma meia-final da Liga Europa em jogo. Os portugueses partem com um 4-2 conseguido em Lisboa.

Os jogadores do Benfica já treinaram no palco do jogo.
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Os jogadores do Benfica já treinaram no palco do jogo. LUSA/ARMANDO BABANI

Se Frankfurt é um tradicional ponto de escala de voos internacionais, o Benfica – até aproveitando o caos nacional nos combustíveis – quererá fazer do Eintracht uma mera escala para “reabastecimento”. No fundo, os “encarnados” querem “reabastecer” a esperança de lutar por uma final europeia, cinco anos depois da derrota em Turim, fazendo valer-se da boa vantagem conseguida na Luz, na primeira mão. Na mira do Benfica está uma ida a Londres (mais provável) ou Praga (menos provável), para defrontar Chelsea ou Slavia, na luta pelo sonho de ir a Baku, em Maio.

Para lá chegar, o Benfica deverá enfrentar, nesta quinta-feira (20h), 90 minutos de futebol. O 4-2 do primeiro jogo é difícil de igualar, pelo que o cenário de prolongamento é altamente improvável. Os portugueses vão entrar em campo sabendo que jogam para três resultados: um empate ou uma vitória valem passagem garantida, mas uma derrota por um golo ou até por dois (com pelo menos dois marcados) poderá ser suficiente.

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Este jogo surgirá horas depois da confirmação da venda de Luka Jovic do Benfica para o Eintracht. De um lado, os portugueses “esfregam as mãos” perante uma futura venda milionária do jogador. Do outro, os alemães conseguem garantir um avançado em destaque na Alemanha e que, nesta quinta-feira, poderá ser o maior foco de atenção de uma defesa do Benfica provavelmente alterada.

Ainda que esteja em jogo uma meia-final europeia, a prioridade chamada campeonato nacional deverá levar Bruno Lage a ir a Frankfurt com “meio depósito”, isto é, com a habitual rotação no “onze” em jogos de Liga Europa.

Esperam-se mudanças na defesa – Jardel deverá entrar para o lugar de Ferro –, no meio-campo – Gedson deverá jogar à direita, no lugar de Pizzi e Fejsa pode render Samaris ou Florentino – e até no ataque – descanso para Rafa e/ou Seferovic?

Na antevisão da partida, questionado sobre o regresso de Salvio, Bruno Lage não só não adiantou o “onze” como adensou as dúvidas existentes de ambos os lados. “Nós teremos de perceber se o Eintracht vai jogar com três centrais e se vai jogar com um médio atrás dos dois avançados, tal como eles não sabem se nós vamos jogar com ponta-de-lança ou não”.

Na equipa da casa também há um Eintracht com a “cabeça” dividida. Em plena luta pelos lugares de Champions, na Bundesliga – algo inédito para o clube – Adi Hütter tem, também, o fardo de o Eintracht não “pisar” uma final europeia há 40 anos. Na antevisão da partida, o técnico alemão traçou a estratégia: “vamos jogar com uma das melhores equipas da Europa. Temos de ser cautelosos quando perdermos a bola, porque eles têm muita velocidade. Não lhes podemos conceder hipóteses para marcarem”.

Do lado alemão, deverá haver um conflito de interesses. Por um lado, os números dizem que o Eintracht, a jogar em casa, costuma ter pouca posse de bola, preferindo explorar o espaço, em transições. Por outro, a equipa parte com a já referida desvantagem de dois golos, pelo que uma postura mais expectante do que “asfixiante” poderá dar conforto adicional a um Benfica já relativamente confortável no marcador.

À atenção do Benfica há um dado curioso: para além de gostarem de explorar a profundidade e as transições, os alemães são a segunda equipa da Liga Europa com mais golos marcados de bola parada. Este dado poderá tornar-se ainda mais importante se o avançado francês Haller recuperar a tempo deste jogo: trata-se do jogador em prova com mais duelos aéreos ganhos.

Em suma, o Benfica tem uma vantagem relativamente confortável, mas não poderá facilitar da forma que facilitou na Luz: é que quem sofreu dois golos, em casa, poderá sofrer outros dois, fora. E sofrê-los é espoletar a possibilidade de sair da Liga Europa.