Aumentou a área contaminada com a bactéria Xylella fastidiosa

No concelho de Vila Nova de Gaia, onde a bactéria foi detectada pela primeira vez em Portugal, no início do ano, o número de espécies infectadas e novos focos da doença já se estenderam a espaços públicos e jardins particulares.

Alecrim (<i>Rosmarinus officinalis</i>), uma das plantas infectadas pela bactéria <i>Xylella fastidiosa</i> no concelho de Vila Nova de Gaia
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Alecrim (Rosmarinus officinalis), uma das plantas infectadas pela bactéria Xylella fastidiosa no concelho de Vila Nova de Gaia Maja Dumat/Creative Commons

A 3 de Janeiro foi detectado em Portugal o primeiro foco de infecção da bactéria Xylella fastidiosa em plantas de lavanda localizadas no jardim do Zoo de Santo Inácio, em Vila Nova de Gaia. Esta semana, a Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) divulgou um comunicado a dar conta de que a contaminação tinha aumentado e se estendia agora a 13 focos noutros espaços públicos e jardins particulares daquele concelho, afectando dez espécies de plantas ornamentais e espontâneas.

Além da Lavandula dentata – onde a infecção tinha começado por ser detectada numa sebe ornamental no Zoo de Santo Inácio durante a colheita de amostras no âmbito de um programa nacional de prospecção de organismos nocivos para as culturas –, as plantas afectadas são agora a Lavandula angustifolia, Rosmarinus officinalis, Artemisia arborescens, Coprosma repens, Myrtus communis, Vinca, Ulex europaeus, Ulex minor e Cytisus scoparius.

A DGAV esclarece ainda que “a cerca de um quilómetro do foco inicial”, na sequência dos trabalhos de prospecção que continuam a decorrer, foram detectadas plantas infectadas de três espécies ornamentais: Rosmarinus officinalis, Artemisia arborescens e Coprosma repens, que foram localizadas num viveiro não comercial, confirmando-se o aumento das zonas contaminadas com Xylella fastidiosa.

A identificação de plantas hospedeiras da bactéria impôs, no imediato, um raio de segurança de 100 metros em redor das plantas contaminadas e ainda uma zona tampão circundante de cinco quilómetros de raio, em redor dos focos detectados. Mas os novos focos de infecção com a bactéria obrigaram à elaboração de um novo mapa que identifica, para lá da zona infectada e da zona tampão, uma nova área demarcada, incluindo agora 33 freguesias, total ou parcialmente abrangidas, de seis concelhos (Espinho, Matosinhos, Porto, Gondomar, Santa Maria da Feira e Vila Nova de Gaia). Obrigou assim ao alargamento da área demarcada, sujeita a várias medidas de protecção fitossanitária, como esclarece um comunicado da DGAV desta última terça-feira, 16 de Abril.

Nestas circunstâncias, está proibido o movimento para fora da área demarcada, bem como da zona infectada para a zona tampão, de qualquer vegetal pertencente aos géneros e espécies constantes da Lista de Géneros e Espécies Sujeitos a Restrições Fitossanitárias, que está disponível na página electrónica da DGAV.

Em simultâneo, prossegue a identificação de eventuais focos da doença nos vegetais constantes na lista na área demarcada, com inspecção visual, colheita de amostras e análise laboratorial.

A Xylella fastidiosa é um agente patogénico que afecta um grande número de espécies vegetais, podendo conduzir ao enfraquecimento, redução de produção e mesmo morte das plantas infectadas. Dispersa-se a curta de distância através de insectos e a longas distâncias pelo transporte de plantas contaminadas.

A subespécie da bactéria, localizada em Vila Nova de Gaia, foi entretanto identificada e trata-se da Xylella fastidiosa multiplex que já afecta, há várias décadas, um elevado número de espécies de plantas na América do Norte, América do Sul e na Ásia. Na Europa, em 2013, foi confirmada a presença da subespécie Xylella fastidiosa pauca no Sul de Itália, onde tem devastado uma extensa área de olival e afectado diversas plantas ornamentais.

Devido aos potenciais efeitos desta bactéria em culturas muito importantes para a agricultura e paisagem rural, a DGAV adianta que “estão a ser tomadas medidas oficiais de destruição das plantas na zona infectada, controlo dos insectos vectores e prospecção da área circundante”. A bactéria “não constitui risco para pessoas e animais.” 

Desde 2015, têm sido detectadas diferentes subespécies da bactéria em França, Espanha e Itália em diversas ornamentais e também em espécies importantes em termos agrícolas. A subespécie multiplex, agora assinalada em Portugal, está associada na União Europeia a 58 espécies e géneros de plantas, entre eles a oliveira, a vinha, a amendoeira, a cerejeira, a ameixeira, o sobreiro, a figueira, os citrinos e muitas plantas ornamentais e da flora espontânea.